Correio do Minho

Braga, terça-feira

Braga, o sonho comanda a vida!!!

O conceito de Natal

Ideias Políticas

2012-04-03 às 06h00

Pedro Sousa

No passado sábado, em pleno Estádio da Luz, o Braga deu uma lição. Uma lição de futebol, uma lição de atitude, uma lição de dignidade. Perdemos mas caímos de pé. Fomos, em todos os momentos, uma equipa garbosa, briosa e que calou, durante largos períodos, mais de cinquenta mil benfiquistas que assistiram ao jogo ao vivo e vários milhões que o fizeram pela televisão por esse país fora.

Pasmem-se os estimados leitores que após o golo do empate do Braga, dois benfiquistas pálidos de morte, exangues mesmo, tinham, mesmo atrás de mim, a seguinte conversa: “Como fica ordenada a classificação se o jogo terminar assim?”, o outro respondia: “Fica o Porto na frente, o Braga em segundo, a um ponto, e nós em terceiro, a três pontos do Porto”, o outro fechava a conversa da seguinte forma: “Antes assim. Mais vale o Porto na frente do que estes aqui”.

Naquele momento senti-me feliz. Esta conversa traduz, fielmente, tudo aquilo que o Braga construiu nos últimos tempos e que, de há uns anos para cá, nos traz, época após época, a disputar com os “grandes” a vitória no campeonato, ombro-a-ombro, quase até à última jornada.
A verdade, é que muitos de nós cresceram a ouvir falar dos ditos três grandes do futebol português.

Braga foi, durante muitos anos, um feudo de um clube sulista que se sentia a jogar em casa sempre que se deslocava à capital do Minho. Mas os últimos anos mudaram isto e o pulsar da cidade acompanhou o crescimento e os feitos do clube bracarense. Ao fim de muitos anos de bi-clubismo, numa espécie de poligamia consentida, a cidade rendeu-se a um único clube, a um único amor, num casamento monogâmico que tem feito felizes todas as partes.

Em Braga vive-se, respira-se o clube da terra. E se há mérito na gestão financeira do clube, a verdade é que os feitos desportivos têm ajudado a levar o nome do clube bem longe, mantendo-o, por isso, no coração dos adeptos. E se o sonho de grandes conquistas foi visto por muitos como uma mera utopia de um presidente demasiado novo para saber como se mexer no mundo de futebol, a realidade dos dias de hoje prova que há sonhos que se concretizam quando ao acreditar se juntam campanhas de marketing de sucesso que colocam o nome do clube nos sítios certos.

Um passeio na zona central da cidade mostra-nos o que seria impensável há uns anos atrás: as crianças vestem com orgulho a camisola com o emblema do Sporting de Braga, de mão dada com adultos apostados em manter um casamento feliz com o clube da terra, longe das amásias que outrora ensombraram a sua relação, afastando-os da sua consorte.

É bem verdade que a consorte também teve de se renovar, de apostar numa nova imagem a que a nova casa também não é alheia. O estádio Axa, marca maior da internacionalização da cidade, é também o sinal da mudança, da aposta na modernidade, no acreditar de que também nós podemos chegar ao Olimpo. As arrojadas linhas arquitectónicas do Axa são a imagem clara de um clube moderno, ambicioso, estruturado e virado para o futuro.

Braga é uma cidade jovem, dinâmica que se revê no clube que mais cresceu nos últimos anos. Equipas sólidas que sobrevivem a mudanças profundas em quase todas as épocas, fruto da cobiça de grandes clubes e que ajudam a equilibrar as finanças bracarenses sem tirar a competência e a beleza à equipa, ajudaram a consolidar e a fidelizar adeptos que entusiasmados com a raça desta nova estirpe de guerreiros se alistaram de corpo e alma nesta nova legião, revendo-se na bravura dos seus intrépidos jogadores.

E dá gosto ver a legião crescer, dá gosto ver a equipa apoiada em casa e fora de casa, num entusiasmo que contagiou uma cidade, que está a contagiar um país que, estando em crise, vê num clube poupadinho a centelha de esperança a renascer, irmanando no sonho minhoto que é o sinal de que quando se acredita as coisas podem mesmo acontecer.

O Sporting Clube de Braga é a imagem viva de que há sonhos que se concretizam mesmo quando os velhos do Restelo se riem dos nossos projectos, desdenhando do nosso querer, tirando valor às nossas conquistas. O Minho é das mais belas regiões do país. Braga é uma grande cidade quer no contexto nacional, quer, em tantas coisas, no contexto internacional e, hoje em dia, tem, também, um clube à altura da sua história e da sua ambição.

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