Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Braga Street Stage - uma oportunidade de ouro

O plano que permitirá um Portugal mais resiliente

Escreve quem sabe

2017-03-24 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

No próximo dia 19 de maio, o Rally de Portugal regressa a Braga por onde já não passava há cerca de 40 anos. A mítica prova - diversas vezes reconhecida como a melhor do mundo - celebra este ano a sua 50.ª edição e vai contar com uma “super especial” no centro histórico de Braga.
Com uma extensão de 1,9 km, o Braga Street Stage - assim se vai chamar esta “super especial” - terá como pano de fundo alguns dos monumentos mais emblemáticos da cidade, como é o caso da Sé Catedral, do Arco da Porta Nova, do Convento do Pópulo, do edifício dos Paços do Concelho ou do GNRation, fazendo desta etapa, provavelmente, uma das mais bonitas de sempre, do ponto de vista cénico.
Mas, para além de bonita, espera-se que seja também espetacular, uma vez que o percurso está desenhado de forma a proporcionar ‘drifts’ aparatosos e inclui, ainda, um vistoso salto que fará as delícias dos espectadores. E, para além disso, tem a vantagem de não ser apenas uma etapa espetáculo, uma vez que se trata de uma prova cronometrada, percorrida duas vezes, que conta para a classificação final dos pilotos.
O evento traduz uma aposta firme da Câmara Municipal na promoção turística do destino Braga e espera-se que atraia uma multidão nunca antes vista ao centro de Braga - a Proteção Civil estima a presença de 200 mil pessoas a assistir, ao vivo, a esta etapa do Rally. A este nível, julgo que este evento será uma prova de fogo para testar os sistemas de segurança e de mobilidade da cidade. Nunca terão sido sujeitos a um teste tão difícil. Num curto espaço de tempo, teremos uma afluência sem precedentes e, ainda por cima, concentrada numa área relativamente pequena, mas central, e que implicará a inacessibilidade de ruas estruturantes no sistema de mobilidade de Braga.
É crucial para a imagem da cidade vencer este desafio, sem falhas. Será necessário o envolvimento de todos. Sem exceção. Mas, naturalmente, as entidades públicas com responsabilidade na segurança pública e na mobilidade terão aqui uma responsabilidade acrescida. A sinalética, a sensibilização dos residentes, trabalhadores e empresários instalados no centro histórico, a articulação conjunta das forças de segurança, o apelo à deslocação em transportes coletivos, entre outros, serão fatores críticos para o sucesso desta gigante operação.
Os Transportes Urbanos de Braga já deram um sinal extraordinariamente importante, promovendo uma operação especial no dia desta etapa, fazendo o transfer de pessoas de dois pontos de estacionamento na periferia da cidade - zona do Estádio Municipal de Braga e zona do E. Leclerc - para o parque de pesados, instalado nas traseiras do edifício do Pópulo. As viagens terão o custo de um euro por passageiro e ocorrerão, em contínuo, no período entre as 09h00 e as 23h00, sendo o tempo médio de espera de 5 minutos.
Mas, para além da atração de espectadores a Braga, este evento gerará um impacto económico muito significativo que importa relevar. Em termos diretos, através da despesa gerada pelos adeptos e equipas e em termos indiretos, mas não menos importante, através da valorização da projeção da imagem do destino.
Para se ter uma noção da escala deste evento, atente-se aos números apresentados pelo estudo elaborado pelo Centro de Investigação em Território e Turismo da Universidade do Algarve, realizado em parceria com a Universidade do Minho, que concluiu que, a edição de 2016 do Rally de Portugal teve um retorno económico de 129,3 milhões de euros. Cerca de 67,6 milhões de euros assegurados pelos gastos de adeptos e equipas, durante o período de realização do evento, e 61,7 milhões de euros provenientes da exposição mediática a nível nacional e internacional, indicando que os principais mercados atingidos foram França, Espanha, Polónia, Finlândia e Itália. A este propósito, refira-se que a prova portuguesa foi, no ano passado, destacadamente, a prova com maior audiência televisiva, a nível planetário, de todas as que integram o campeonato mundial de ralis.
A edição do ano passado também contou com uma “street stage”, que teve lugar no Porto, e, segundo os dados divulgados na apresentação do Braga Street Stage, pelo Presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira, esta etapa teve um retorno económico para o concelho do Porto na ordem dos 9,3 milhões de euros, o que serve de referência para aquilo que se pode esperar em Braga.
Em conclusão, trata-se de um enorme investimento do Município. Mas um bom investimento. Por cada euro investido, estimo que venhamos a obter um retorno de 20 a 30 euros. São raríssimos os eventos, a nível regional e nacional, que atingem este rácio de conversão.
O evento constitui uma oportunidade de ouro para a afirmação internacional do destino Braga em termos turísticos, assim saibamos, coletivamente, ajudar a criar uma experiência agradável a todos os que nos visitem durante a prova. Será um dia que criará algum incómodo para muitos residentes, trabalhadores, empresários e utilizadores regulares do centro de Braga, mas que, indubitavelmente, trará um benefício infinitamente superior ao “prejuízo” que possa implicar na vivência das pessoas.

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