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Breve história de uma avó... Covid

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2020-08-29 às 06h00

Escritor Escritor

Graça Horta

Era uma vez... um ladrão e assassino que surpreendeu todos com sua inesperada chegada, sem se fazer anunciar… cheio de “ferramentas e truques” que todos desconhecem. Seu nome é Corona.
Ninguém conhece exatamente sua origem, de onde vem, para onde vai, sabem apenas que é perigoso. Rouba e mata indiscriminadamente tudo que encontra pelo caminho.
Conseguiu com seu “desconhecido veneno” ir espalhando medo, por onde passa originando o afastamento das pessoas, mesmo dentro de suas próprias casas, de suas famílias…as crianças vão ficando retidas em casa, sem puderem sair, mesmo para ir á escola, ao infantário, ao parque… O afastamento e gradual e cada vez mais acentuado de tudo e de todos, em especial de seus avós, tios, primos, amigos, etc.
Esse Corona rouba até os simples afetos. O carinho genuíno e voluntário, especialmente dos avós que deixaram de poder tocar em seus netos pequeninos.
Os maiores já se foram habituando a trocar a presença e o carinho de seus avós, pela play station, vídeo games, telemóveis, computadores, etc... etc... acabando por ser já um prática corrente em suas vidas.
Para os ver, basta carregar num botão e lá aparece, do outro lado, o rosto de alguém que precisam ver.
- Olá vó... estamos bem. Tchau.
Tão rápido quanto impreciso, aqueles rostinhos desaparecem.
Os mais pequeninos, os que ainda não falam, nem andam, olham fixamente o ecrã à sua frente, ouvindo as vozes e os rostos do outro lado, e fica parados, simplesmente olhando e sorrindo, às vezes... outras, desviando seus olhares para o lado (a televisão perto captando sua atenção) voltando a olhar fixamente em frente. Com a surpresa estampada em seus olhares, não entendo bem o que ali se passava!
Os beijiiiinhos, esses lá foram enviados pelo whatsapp, soprados na mão da avó... esperando um dia poderem ter algum significado!
Literalmente TUDO serve para justificar a segurança exigível para manter esse Corona longe de nossas vidas e de nossas casas, mas…ele anda por ai, solto, difícil de “prender”... e as práticas de distanciamento vão-se manter in illo tempore, como mudança de transformação necessária ao equilíbrio do planeta.
Transformando valores e princípios, já ultrapassados, pelo sistema de implementação de novos hábitos de saúde e de segurança, em normas e regras instituídas.
Adeus afetos... beijinhos e abraços... o Corona espreita na esquina... pronto a atacar!
O Corona não é apenas um perigoso ladrão e assassino, é um exterminador implacável…invadindo o planeta como um filme de ficção de tal forma real e limitante, que corrói o pensamento, a liberdade, a importância de ser... um ser humano.
Algumas pessoas, em seus exageros demasiado exacerbados, mantêm suas distancias, obcecadas pela segurança que julgam controlar de forma eficaz, (in) conscientes de seu desempenho, não reconhecem, em suas práticas, o afastamento a que submetem quem as rodeia.
O Corona veio para dividir o Mundo. Viver num casulo restrito a um limitado núcleo familiar, de poucos amigos e mesmo esses, sujeitos a regras de não aproximação, dispensando afetos, sentimentos, emoções.
Sou um ser humano, tentando o desempenho nas suas variadas competências; mulher, mãe, avó, amiga, colega, mas neste momento não sei quem sou nem que lugar ocupo... agora.
Vivo apenas deixando-me arrastar pelo turbilhão de informações, de sentimentos, de emoções, descontroladamente inconsequentes, rotulada por quem “segue a corrente” de irresponsável e inconsciente.
Vóvó COVID!

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