Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Brincadeiras de rua

Um ciclo que se abre

Escreve quem sabe

2013-05-05 às 06h00

Joana Silva

Recorda-se da sua infância? Dos tempos em que brincava na rua em que havia uma diversidade de brincadeiras, desde o saltar à corda, jogar à bola, às escondidas, “às caçadinhas”, jogo do berlinde, entre outras actividades, que garantiam um enorme gozo e alegria. Com certeza que sabia “de cor e salteado” o nome dos companheiros de brincadeiras e mesmo não havendo meios de comunicação que facilitassem o conatcto, como o telemóvel ou telefone, não eram factores impeditivos de agendamento de actividades, mesmo que fosse necessário caminhar alguns quilómetros a fim de se deslocar à casa de algum amigo. Seriam crianças menos felizes, que as de hoje, porque não tinham ao dispor um conjunto de materiais tecnológicos? De facto, não! As brincadeiras das crianças tem -se alterado nos últimos anos, em muito devido à condição, segurança, motivo plausível por parte dos pais, porque se vive numa sociedade “de risco”, mas muito também, devido à apelação das novas tecnologias aplicadas ao contexto casa. Hoje, uma grande parte das brincadeiras passam pelo visionamento de programas de televisão, navegação na internet, uso do telemóvel, leitores de DVD, MP3, iPod, tablets, jogos de consola etc. Se antigamente , o divertir passava pela companhia dos amigos, hoje a companhia pode passar simplesmente pelas tecnologias. Outrora as amizades, ocorriam em espaços externos muito para além do contexto escolar, mais concretamente em actividades extra curriculares entre outras, onde o contacto físico estava presente ,o que pode não acontecer actualmente. As novas tecnologias, são facilitadoras sim, de uma multiplicidade de aprendizagens , todavia, existem, como se diz no senso comum os “seus quês”, isto é desvantagens quando utilizadas de forma excessiva. Quer se com isto dizer, que as novas brincadeiras remetem mais para o sedentarismo e como tal favorece a obesidade pois por norma a criança não tem muita actividade física. Num outro contexto de reflexão, as dinâmicas interpessoais ao se alterarem, ou seja, assiste-se a tendência em que as crianças cada vez mais brincam mais sozinhas, pode despoletar , seja na adolescência ou idade adulta para problemas sociais e de comportamento (exemplo, não saber como agir ou que atitude tomar perante um conflito ou opinião divergente da sua). De realçar que uma grande parte das aptidões sociais e intelectuais imprescindíveis ao sucesso na vida, são desenvolvidas por via de brincadeiras de infância. Os jogos não metódicos nem preparados para determinado obejctivo (diferente de se ter de ultrapassar diferentes níveis de um jogo de consola para atingirem ser se bem sucedido por exemplo) permitem às crianças descobrirem respostas de resolução de problemas por elas próprias. As crianças aprendem a resolver problemas, a reflectirem de forma criativa e trabalhar em equipa, condições chave na vida adulta. Em síntese, as tecnologias enriqueceram o quotidiano das crianças mas os pais devem criar regras e os horários de utilização das mesmas e devem sobretudo incluir e estimular a continuação das brincadeiras 'tradicionais”.

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