Correio do Minho

Braga, terça-feira

Bullying

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Voz às Escolas

2010-03-29 às 06h00

Hortense Lopes dos Santos

Foi no princípio deste mês que o lamentável caso ocorrido numa escola, no Concelho de Mirandela veio instalar, entre os meios de comunicação social, o debate em torno da problemática do bullying. Desde então, sempre que ligamos a televisão ou folheamos um jornal temos sido confrontados com diferentes histórias e teorias, mas, embora seja consensual que é imperativo agir sobre o problema, não são dadas grandes pistas sobre como operacionalizar essa intervenção.

Por vezes, ao explorar um assunto de forma tão intensa, este perde o seu impacto, deixa de nos chocar, acabamos quase por normalizá-lo ou neutralizá-lo, mas, para nós, enquanto escola, este é um problema que, apesar de amplamente discutido, não nos é, nem será indiferente, merecendo até uma particular atenção.

Ainda sem tradução para a língua portuguesa, o bullying refere-se ao conjunto de atitudes agressivas e intencionais, que ocorrem sem motivo aparente numa relação desigual de poder, provocando, nas vítimas, dor, angústia, ansiedade, medo, etc. O bullying pode assumir várias formas: física (agressões); verbal (gozo, insultos); moral (difamação); sexual (abusos); psicológica (desprezo, humilhação, ameaças); material (roubos, danos a bens pessoais) e virtual (cyberbullying - através da internet ou telemóvel, difamar, humilhar, ofender). Assumido agora como um problema grave, este conjunto de comportamentos vem sendo entendido como parte integrante do “ser criança” ou “ser adolescente”, no entanto, pode ter efeitos nefastos sobre as vítimas, nomeadamente insucesso, absentismo e abandono escolar; problemas de auto-estima, relacionamento e comportamento; depressão; stress; problemas de ordem gástrica; dores; em casos extremos, levar a quadros de toxicodependência e auto-mutilação e, em última instância, ao suicídio.

Perante este cenário, torna-se necesserário que os pais e encarregados de educação estejam especialmente atentos se os seus filhos e educandos evidenciarem sinais, tais como: falta de vontade de ir à escola, que pode até manifestar-se por um evidente mal-estar à hora de sair de casa; insistência no sentido de mudar de escola; medo de ir à escola; angústia; ansiedade; depressão; súbita introversão; bai-xo nível de auto-estima; pesadelos frequentes; feridas inexplicáveis; bens pessoais danificados e baixo rendimento escolar.

No entanto e apesar do fundamental papel dos pais e encarregados de educação, para que o bullying não se transforme numa perigosa e viciada rotina escolar, as Direcções e os docentes devem estar atentos a casos de absentismo, elevados níveis de faltas disciplinares, atitudes desrespeitosas contra docentes, entre outros, no sentido de proceder a uma intervenção efectiva. As escolas devem, ainda, sensibilizar para a não-violência; conversar com vítimas e agressores; garantir ajuda; tomar medidas que previnam a recorrência de situações e, sobretudo, não ignorar a existência do problema na sua escola, nem culpabilizar as vítimas.

A excessiva passividade das Direcções das escolas tem sido apontada como um dos factores contributivos para uma taxa de vítimas de bullying que, em Portugal e de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ronda os 40%. É no sentido de se distanciar deste modelo passivo que a Escola Secundária Carlos Amarante (ESCA) procura desenvolver estratégias para uma intervenção preventiva.

Para tal conta, numa perspectiva reguladora, com assistentes operacionais que garantem o controlo das entradas e saídas da escola e com a presença de um agente aposentado das forças de segurança pública que assegura a ordem dentro da mesma. É também apoiada, numa perspectiva psicossocial, pelos Serviços de Psicologia e Orientação (SPO) que oferecem, sempre que necessário, o acompanhamento psicológico dos alunos e, ainda, por um projecto na área do Serviço Social (em fase de implementação) destinado à criação de um gabinete de apoio social escolar que, entre outros objectivos, se propõe a detectar “situações-problema”, proporcionar o apoio individual, familiar e social e a intervir no sentido de fazer da escola um espaço de partilha, favorecendo assim não só, mas também a denúncia de ocorrências. No fundo, acreditamos que pedir ajuda é tudo menos sinal de fraqueza.

São estratégias como estas que permitem à ESCA aproximar-se todos os dias mais um pouco do seu principal objectivo, o sucesso escolar. Assim, aproveitamos também para recordar o já referido em artigo anterior e congratulamo-nos pelo nosso aluno, André Miranda, que, tendo concluído o 12.º ano com uma média final de 19,8 valores, foi considerado, pelo Ministério da Educação, o melhor aluno do Ensino Secundário Público do ano lectivo 2008/2009, a nível nacional.

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