Correio do Minho

Braga,

Burocracias

O nível de vida português pode ser ultrapassado pelos países do leste europeu

Escreve quem sabe

2012-09-29 às 06h00

Fernando Viana

Como a maior parte das pessoas possuo conta bancária aberta num Banco. Como tenho dois filhos, há já muitos anos decidi abrir uma conta bancária nesse mesmo Banco em nome de cada um deles e depositar uma pequena quantia mensalmente. Trata-se de uma espécie de “conta mealheiro”.

Entretanto um dos meus filhos atingiu a maioridade e foi para Lisboa. Tornou-se necessário possuir uma conta bancária para ele movimentar, nomeadamente através de um cartão de débito.
Pensei que possuindo ele já aquela conta bancária que se encontra titulada em seu nome e no dos pais seria muito fácil tratar de obter o referido cartão de débito, em vez de estar a abrir uma nova conta bancária.

Puro engano. Após cerca de hora e meia no Banco a tentar tratar do assunto com a gestora de conta informaram-me que por imposições do Banco de Portugal, tornava-se necessário assinar um monte de papéis, os pais e o Afonso (o filho em causa é o Afonso).

Nada que não se resolva. Mas dei comigo a pensar que há alguns anos atrás, tinha eu então 15 anos e consegui, sozinho, sem a ajuda ou o nome de ninguém abrir uma conta na Caixa Geral de Depósitos e movimentá-la com uma caderneta. Também sozinho consegui, aos 17 anos, abrir uma conta bancária na União de Bancos Portugueses, requisitar cheques e movimentar essa conta bancária livremente.

Agora que vivemos na era “Simplex”, sendo eu cliente há muitos anos da referida instituição bancária e tendo o meu filho, que já é maior, conta aberta no mesmo banco, conta essa de que também sou titular, não consigo requisitar um simples cartão de débito (não, não é um cartão de crédito, é de débito, apenas permite fazer levantamentos e pagamentos com base no saldo da conta à ordem.

Imposições do Banco de Portugal. Para quê? Haverá do ponto de vista do “politicamente correto” algumas boas razões.
Contudo, nenhuma delas me convence verdadeiramente. Não é com vinagre que se matam moscas diz avisadamente o povo.

De facto, rapidamente me vieram à memória os casos do BPP (Banco Privado Português) e do BPN (Banco Português de Negócios), nos quais aconteceu o que todos sabes e que lesaram depositantes, o Estado português e agora os contribuintes em milhares de milhões de euros e o Banco de Portugal teve o comportamento que é do domínio público.

E eu não consegui requisitar um cartão de débito para movimentar uma conta bancária que me pertence e ao meu filho e que tem lá meia dúzia de euros. Resta-me o consolo de saber que o Banco de Portugal está vigilante e que para conseguir-mos um cartão de débito temos que passar as passas do Algarve.

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