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Calma, gripe não é SARS-CoV-2!

Processos de mudança

Calma, gripe não é SARS-CoV-2!

Escreve quem sabe

2020-10-31 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

Não sei se sabiam, mas a hipocondria ou crença infundada de que se está doente acabou oficialmente em 2013 com a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. É esse texto que arbitra se hoje uma doença desse foro existe ou não. Na edição anterior ela ainda existia, mas nesta mais recente foi transformada em Transtorno de Ansiedade de Doença (TAD).
Na verdade, a designação hipocondria era algo imprecisa. A palavra, cunhada a partir dos vocábulos gregos “hypo-“ (sob) e “khondros” (cartilagem costal), referia as vísceras – fígado, vesícula biliar, baço – que se encontravam por debaixo das costelas e que se pensava serem sede da melancolia e fonte de emanações que causavam tal sentimento. Foi só no século XIX que passou a ter o significado mais restrito e mais comum de “estado atrabiliário sem causa real”.

Agora, a condição necessária (mas não suficiente) para que alguém lhe veja ser diagnosticado um TAD é manter, pelo menos por 6 meses, uma preocupação com e o medo de ter ou adquirir doença grave.
O contexto pandémico atual tem sido, suponho, propício a gerar mais TAD e, quase se pode adivinhar, que o período outono/inverno, por causa dos habituais surtos gripais, ainda aumentará essa propensão.
Importa, assim, para não ficarmos mais ansiosos que do que já estamos, ter presente que, apesar de tudo, o vírus da gripe não é tão perigoso como o coronavírus de Wuhan e, especialmente, não confundir os sintomas de um com os do outro, algo que às vezes parece fácil de acontecer.

No plano dos sintomas, temos três grupos. Os que são comuns às duas infeções virais – Influenza e SARS-CoV-2 – mas não causam elevada preocupação (exceto, claro, se persistirem demasiado tempo): febre (mais de 38ºC), tosse seca, dores de cabeça, cansaço, congestão e/ou secreção nasal, dor de garganta. No caso da covid-19 os quatro primeiros têm-se apresentado mais frequentes que os dois últimos. Cada um dos sintomas, por si só, não significa muito. Quando estão todos presentes assumem maior relevo. Mesmo assim, é importante não esquecer que estas coisas andam quase sempre interligadas. Por exemplo, uma das típicas consequências da tosse seca é não nos deixar descansar durante a noite, de modo que não deve surpreender que, pela manhã, sintamos, nessa situação, grande cansaço e o corpo febril.

Há depois os que podem estar presentes em ambas, mas de modo mais intenso e preocupante na covid-19: dificuldade em respirar, diarreia. O primeiro, a dispneia (ou falta de ar), deve merecer maior atenção, porque poderá indiciar a presença de pneumonia (ou infeção pulmonar). Aqui, todavia, uma vez mais, é preciso algum cuidado, para evitar confusões: como nos encontramos numa situação que provoca (maior) ansiedade, esta mesma pode estar a contribuir para essa dispneia. Um modo de tirar o assunto a limpo é inalar uma boa dose de ar e suster a respiração contando até 25; se aguentou é porque, com boa probabilidade, os pulmões estão bem e, de caminho, também aproveitou para relaxar o corpo.

Por fim, há um sintoma que parece ser distintivo do covid-19: a anosmia ou alteração do olfato e/ou do gosto. Foi observada em cerca de metade dos casos com covid-19. Porém, ainda assim, será preciso apurar se não terá sido provocada por uma grande constipação e consequente congestão nasal aguda.
Moral: todo o cuidado será sempre pouco, mas convém não sobre-interpretar eventuais sintomas e criar uma desnecessária ansiedade em relação a eles. No final de contas, como alguém notou, podemos parecer viçosos como uma alface e ainda assim ser portadores de um vírus.

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