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Caminhos de Santiago e turismo religioso

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Caminhos de Santiago e turismo religioso

Ideias

2020-01-28 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

Os itinerários do Caminho de Santiago na euro-região Galiza-Norte de Portugal têm registado um expressivo incremento anual do número de peregrinos de diferentes nacionalidades. Grande parte desse sucesso, fica-se a dever à atenção e carinho que uma boa parte das autoridades dos dois lados da fronteira tem dedicado à promoção e valorização destas rotas milenares, mas o trabalho que, nesse sentido, tem sido desenvolvido pela própria Ordem do Caminho de Santiago também não é irrelevante para o resultado final.
Em Caminha, por exemplo, e segundo dados divulgados há dias pelo município local, em 2019 foram registados 8.176 peregrinos nos postos de turismo da sede do concelho e de Vila Praia de Âncora, o que corresponde a um aumento de mais de 38 por cento relativamente ao ano anterior.

O próprio edil, Miguel Alves, não manifestou qualquer surpresa com o aumento verificado, que diz constatar diariamente no terreno, e explicou que a crescente projeção internacional do Caminho de Santiago e os fortes investimentos, públicos e privados, na divulgação, sinalética e valorização do Caminho Português da Costa são determinantes para os resultados que se registam.
Também de Braga, e segundo dados divulgados pelos serviços da Catedral de Santiago de Compostela, partiram mais 32,3 por cento de peregrinos do que no ano anterior, sendo certo que o Caminho da Geira e dos Arrieiros, que liga as duas cidades, na distância de 240 quilómetros, contribuiu fortemente para os números finais.

Embora não disponha de elementos oficiais de outros concelhos, estou plenamente convicto que os resultados já conhecidos correspondem a uma realidade mais ou menos uniforme em todo o percurso das rotas pedestres. Rotas que, convém lembrar, foram criadas no princípio do século IX, altura em que foi descoberto em Santiago de Compostela, na Galiza, o sepulcro do apóstolo Santiago. Desde então, esses caminhos têm vindo a ser calcorreados por milhões de peregrinos de todo o mundo, os quais se dirigem à catedral para venerar o santo.
Com a aproximação do próximo ano Xacobeo, que se celebrará já em 2001, será de admitir um crescimento exponencial de peregrinos, de resto na linha do que tem sucedido sempre que se comemora o ano santo compostelano. Recorde-se que o ano jubilar é celebrado sempre que o dia 25 de Julho, dia de Santiago Maior, coincide com um domingo, ou seja, numa sequência temporária de seis, cinco, seis e onze anos.

São imensas as evidências do envolvimento de entidades do Norte de Portugal e da Galiza na consolidação dos itinerários do Caminho de Santiago nesta euro-região. Ainda há dias foi apresentado no Porto um novo programa, o “Facendo Caminho”, um projeto de promoção conjunta a que corresponde um investimento da ordem dos 657 mil euros. Também a Ordem do Caminho de Santiago, uma das entidades com maior dinamismo e dedicação na difusão da cultura Xacobea, e de que é incansável vice-presidente executivo o meu amigo Alejandro Rubin, tem desenvolvido o seu intenso labor, a nível mundial, embora com maior incidência na península ibérica e em toda a América Latina. É, aliás, a esta Ordem que se fica a dever uma boa parte do crescimento do número de peregrinos, em particular aqueles, e muitos são, oriundos dos países da América Latina.

Constata-se, pois, uma enorme convergência de vontades para, conforme sublinhou o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), “consolidar os itinerários do Caminho de Santiago na euro-região Galiza-Norte de Portugal”, “impulsionar a sustentabilidade daquele recurso patrimonial e natural transfronteiriço” e “contribuir para proteger e valorizar os recursos culturais” - parte dos objetivos do tal projecto "Facendo Caminho”.
O responsável pelo turismo do Norte tem manifestado grande sensibilidade para este tema pois Luís Pedro Martins não ignora que a consolidação das rotas e o consequente aumento de peregrinos também resulta em mais-valias para a economia portuguesa, em particular para a da região nortenha.

Mas a estabilização das diferentes rotas pedestres que vão desembocar na capital galega poderia constituir uma excelente janela de oportunidade para os responsáveis portugueses também lançarem programas de turismo religioso, por exemplo, criando a rota dos santuários. Afinal, temos na nossa região, para além de outros exemplares de enorme valia patrimonial, os santuários do Sameiro e de S. Bento da Porta Aberta, um e outro relevantes centros de peregrinação, só ultrapassados em número de peregrinos pelo Santuário de Fátima. Seria, pois, uma magnífica ocasião para pensar programas que possam ajudar a desenvolver o chamado turismo religioso.

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