Correio do Minho

Braga, terça-feira

Caminhos para um Portugal desenvolvido e soberano

Repensar a Lógica do Livro de Instruções

Ideias Políticas

2014-03-04 às 06h00

Carlos Almeida

O diagnóstico está feito. São por demais evidentes os indícios que revelam o estado moribundo em que o país se encontra. Desemprego galopante, emigração em massa, níveis de pobreza incontroláveis.

Nas causas de tamanha desgraça há quem julgue estarem políticos incompetentes, seres tresloucados especialistas em (má) despesa pública, que, de vez em quando, são embrulhados em escândalos topo de gama. E o povo lá vai reagindo, perplexo, aos desvarios de quem governa. No café, em casa, no trabalho, nas redes sociais, poucos são os que se abstêm de condenar este ou aquele episódio, esta ou aquela decisão política. Consequências? Zero!

Não, não são incompetentes os que nos governam. Tão-pouco será ingénua a política desenvolvida.
Quem governa sabe bem ao que vai. Sabe e executa uma política de interesses.
Quando condena a escola pública ao definhamento, sabe que está a abrir caminho aos colégios e instituições privadas.
Quando destrói o serviço nacional de saúde, sabe que empurra os cidadãos para as clínicas e hospitais privados.

Quando aponta a falência do sistema de protecção e segurança social, sabe que à espera estão dezenas de seguradoras sedentas.
Quando dramatiza os “incomportáveis” défices das empresas públicas, sabe que nas mãos dos privados estas serão negócios bem rentáveis.

Não por acaso, o título deste texto é coincidente com o de uma iniciativa a que assisti no Sábado passado aqui em Braga. Numa belíssima sala do museu dos Biscaínhos constituiu-se um espaço aberto e livre, no qual vários participantes deixaram as suas angústias e revoltas, mas também as suas propostas e ideias para dar a volta à aflitiva situação do país. Fico, por isso, extremamente satisfeito e com esperanças renovadas quando (re)vejo nestes momentos pessoas comprometidas com uma luta que é de todos, unidas na procura de uma política alternativa.

Naquela tarde pude ouvir contributos de cidadãos preocupados com o estado da saúde, o ambiente nas escolas, as condições de trabalho, o mundo das artes e da cultura. Contributos de gente que pensa o seu país e ambiciona uma vida melhor para todos que nele vivem e que nele querem continuar a viver.

Na unidade das mais diversas camadas da população que são atingidas pela política neoliberal em curso, na sua mobilização organizada, está a chave para a inversão de rumo, derrotando os responsáveis pelo empobrecimento do país, instalados no governo. Apenas uma ampla frente social, agregadora dos variados descontentamentos, que defina uma linha política alternativa e convergente na defesa do progresso do país, dos seus interesses económicos, e das justas aspirações do povo, será capaz de encontrar os caminhos para o desenvolvimento e soberania nacionais.

De nada valerá ao povo e ao país se, dos escombros resultantes da queda deste governo, se erguer um outro, de cara lavada e promessas arejadas, que venha pôr em prática a mesma política de sempre. Não se trata, pois, da substituição de figuras, figurantes e figurões, mas, de uma vez por todas, dar início a uma nova política ao serviço de Portugal e dos portugueses.

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