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Braga, sexta-feira

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Canções de Ida e Volta no Museu de Fado

Bolsonarismo, ideologia de destruição e alternativa

Escreve quem sabe

2017-12-20 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo Félix Alonso Cabrerizo

Mas o que não oferece duvida é que, no mínimo os navegadores Espanhóis terão levado a dança (O Fandango) até as Américas, onde recebeu a influência Afro-Americana e com ele regressou a Península, constituindo assim, como assinalada “Bernard Leblon”, o primeiro caso dos cantos e danças de ida e Volta, expressão que designa o vai-vém, nos dois sentidos entre a Espanha e a América e que se aplica, entre outros, à Rumba, à Guajira, a Milonga, à Colombiana.
Assim, sendo verdade que todo o processo de colonização desde o seculo XV conduziu a movimentos de ida e volta, proporcionando os vastos contatos que transformariam a Cultura Europeia, o episódio da fixação no Rio de Janeiro da Corte Portuguesa durante 14 anos…
(AS MÚSICAS DO FADO - RUBÉN DE CARVALHO)

Os dias 6 e 7 de Outubro de 2017 - tive o privilégio de representar, Braga e a Associação ACOFA Bragafado, participando na Conferencial Internacional “Canções de Ida e Volta” no Museu de Fado - Lisboa, evento de grande magnitude, pela importância histórica deste momento, pelo seu significado, pela sua representatividade e influência no mundo atual.
Colaboraram personalidades de alto gabarito, muito bem documentadas e especialistas em estas temáticas do Fado, Tango, Flamengo, Canto Alentejano, Ponto Cubano, Samba de Roda, apresentadas com suas palestras respetivas e logo um turno de perguntas e respostas pelos assistentes em dois temas fundamentais. Dia 6 Processos Históricos, Institucionalização e Globalização e dia 7 - Patrimonialização.

A temática de “Canções de ida e volta” é como comentava Pedro Félix, “com o acesso ás novas “Velhas” fontes primárias vamos a perceber como a intima conexão entre as canções a ambos lados do Atlântico, Fado, Samba, Tango, Flamengo, Boleros, todos estes géneros circulavam entre as margens deste oceano” sendo o principio básico da conferência.
O Dr. Rui Vieira Nery (filho do famoso guitarrista Raul Nery) abrio a conferência com o tema Canções de Ida e Volta o Triangulo Atlântico, é a presença do outro nas músicas portuguesas. Passados três seculos de dominação colonial, a música (particularmente o repertório popular urbano) desempenha um papel importante de processos e modelos de cada comunidade.

Este processo de transformação que começa com a evangelização, onde instaura-se o Canto Gregoriano e Polifonia Clássica para impor cultura e costumes religiosos aos nativos das colónias. Agora, pouco a pouco com o relacionamento entre as duas culturas se vai gerando, com explica muito bem o Professor Rui Vieira Nery, em uns explícitos exemplos musicais fala “que nunca se trata de uma simples coexistência de modelos estanques pelo contrário nos leva, a esses olhares cruzados de cada um sobre si próprio e sobre o estilo em permanente construção e desconstrução”.

No panorama de Tango Omar Garcia Brunelli faz uma exposição das diferentes etapas do Tango. “Não tivemos um só tango, mais vários, as modas internacionais foram modificando. Nos últimos 20 anos estamos revitalizando. Começando a recolher uma grande quantidade de documentos, discos, partituras, rolos de pianola, filmes, memórias escritas para preservar o património. Enrique Câmara de Landa comentava que o Tango provocou uma serie de reações éticas incluso politicas em países como Itália e Espanha, onde foi utilizado como agitação de agentes sociais”.

Maria Angeles Carrasco Hidalgo expôs que o Flamengo foi sempre um compromisso político da Junta de Andaluzia. Em 2005 se fundou o instituto Andaluz do Flamengo, marcando uma linha maestra, para desenvolver o Arte: A conservação, difusão e recuperação, a integração no mercado musical, a consolidação como Industria Cultura, promoção do Flamengo a nível Internacional, investigação e conhecimento e o seu aproveitamento como recurso Turístico e Educativo.

A Dra. Sara Pereira - Diretora do Museu do Fado - Faz em sua conferência uma exposição sobre “Um sujeito chamado Fado, Património, Salvaguarda e Desafios”.
Comentava que o Fado e um género musical português, trovadoresco e literário e que facilmente dialoga com os outros géneros (flamengo, tango, samba etc). Há 20 anos o Fado corria o risco de identidade, com o tempo foi recompondo-se em colaboração com diversas entidades entre elas a Câmara Municipal de Lisboa e a Recuperação de varias Obras sobre o Fado e o Espolio que muitos fadistas doaram.

Foi muito marcante em 2004 a obra literária, “Para Uma História do Fado” de Rui Vieira Nery. A inclusão no Panteão Nacional de Amália Rodrigues. 1994 - Exposição do Fado em Lisboa, 1998 Abertura do Museu do Fado de Lisboa, 2010 série televisiva e a candidatura a UNESCO. 2008 - Criação de Programas e Plataformas, Arquivos Sonoros, Digitais, Editoriais, Educativos, Milhares e Milhares de gravações históricas, livros, Livros de Fado, Roteiros de Fados e etc.
Podemos afirmar que o fado está num grande momento e expansão, a nível nacional e muito reconhecido pelo Mundo e mantem as bases do Fado Tradicional.
Muito obrigado por este momento histórico que vivi nesta conferência.

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