Correio do Minho

Braga, terça-feira

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Canonicidade no retalho (II)

Regionalização e representação territorial

Ideias

2018-06-25 às 06h00

Álvaro Moreira da Silva Álvaro Moreira da Silva

Enfim, perante tais convergências e divergências de opinião, durante os dias que se sucederam, demos início a uma das etapas mais complexas e desafiantes da nossa carreira, em conjunto com uma equipa de arquitetos bastante experientes nas áreas da informação aplicadas ao retalho. Este desafio seria então a identificação inicial das palavras mais elementares do seu negócio (produto, fornecedor, loja, armazém, entre outros) estendendo ainda este desafio à criação de um modelo canónico corporativo de referência, usando verbos de ação entre estas palavras. O principal objetivo deste trabalho seria o de que todo e qualquer processo de negócio, desenvolvimento de software, documentação, entre outros, teriam obrigatoriamente de seguir, doravante, as mesmas regras descritas por esse mesmo modelo. Por exemplo, será que se um fornecedor pode fornecer produtos e um provedor de serviços pode fornecer serviços, poderíamos, por dedução lógica, considerar um fornecedor como sendo igual a um provedor de serviços? Se sim, podemos usar então, no domínio do retalho e neste cliente em particular, uma designação única para fornecedor e evitar usar a palavra provedor?
A tarefa pareceu-nos tão utópica quanto a iniciativa a tal ponto que a relacionámos com a proposta de figuração encontrada no Tractatus. Na tentativa de representação de uma realidade ilimitada, canónica, criada através de um modelo baseado em proposições, com diversos elementos pertencentes à realidade e as suas relações, Wittgenstein fracassou.
Tendo sido este exercício aplicado ao domínio restrito do retalho num cliente específico, a tarefa foi complexa, mas possível. Permitiu conhecer melhor a linguagem utilizada na empresa e a sua gramática, permitiu que os principais intervenientes do negócio conhecessem melhor a sua forma de atuar e comunicar, potenciou a interoperabilidade entre sistemas tecnológicos e heterogéneos, os quais passaram também a adotar essa linguagem canónica na comunicação.
Infelizmente, pelo menos no âmbito do retalho, talvez por falta de conhecimento, interesse, de formação, de incompreensão por tais modelos e ontologias, pelo total desconhe- cimento da extrema importância de dicionários de dados, de taxonomias, de modelos canónicos corporativos, qualquer desenho de um processo de negócio e de engenharia de software ficará sempre mais vulnerável a potenciais desalinha- mentos com os principais interesses dos intervenientes do negócio, até que se perceba a real necessidade da criação e maturidade de uma linguagem canónica do seu negócio.

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