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Carta fora do baralho

O Estado desta Nação

Carta fora do baralho

Ideias

2023-09-13 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

A1 escrevia Costa a Úrsula. A 1 escrevia Macron aos líderes dos partidos que lhe fazem oposição. Setembro é mais mês de colheitas, ou vindimas, mas pelos vistos há quem o ache propício para plantios. Será um indício suplementar da desregu- lação climática.
Macron escrevia a 1, em cima de reunião terminada às 3 da manhã. Maratona inconclusiva de 13 horas, rasgos de quem pouco se enxerga. Macron pende para não ouvir ninguém e, de tão emproado, não é certo que se oiça a si em segundo pensamento. Ora, por contaminação simpática, os convocados a Saint Denis – Ciotti, Bompard, Roussel, Tondelier, Bardella, etc. – terão decidido não sair das suas posições, que se quem teima, teima com alguém, frequentemente para lá da linha do razoável, quem chega a acordo, impreterível é que se combine com oponente, a quem algo cede, para outro receber.
Úrsula remeteu Costa ao cantinho da asneira, que já pouco se usa para não ferir sensibilidades, para não provocar epítetos, como o de asneirofóbico – que compõe com todas as fobias e anátemas da moda. Canto em que a mesma Úrsula deveria estar, pela desgraça pegada em que a União Europeia se encontra. Mas ela é capaz de ter atestado que enumere umas faltinhas. Coitada! Podia acontecer ao mais pintado!
Componho Costa com Macron para que não fiquemos com uma ideia de que nos toque só a nós, porque em ambos as mesmas diletâncias, a mesma propensão para as cortinas de fumo, para proverbial sacudir a água do capote. A maioria que Macron não teve em urnas, é a maioria que não tem em Parlamento, qual seja a iniciativa de que incumba a sua primeira-ministra. Aliás, não a ridiculariza, reunindo ele com a oposição, à margem do órgão próprio?
No que nos toca em primeira linha, a tão escandalosa crise de habitação vem com longo estágio e apurada incubação, e Costa, que anda na política desde os idos de 70, se nunca o pressentira, mais infelizes faz aqueles o elegeram. No fundo, o senhor Costa é um Santana Lopes com um partido mais truculento e obediente, mais possante e ancorado, fruto do preconceito com que operamos de há décadas – o de que a esquerda é boa, e a direita má, o de que o PS é de esquerda e amigo dos deserdados.
Está Portugal onde está a França, pelo menos no que à exorbitância dos arrendamentos corresponda, no resto estarão eles muito à frente, a começar pelos índices de criminalidade e insegurança. A direita não se cansa de associar um e outro ao descontrolo da imigração e ao falhanço da integração, e avança, para começar, com a interdição da abaya e véu nas escolas públicas. Temiam-se sururus, mas dá a impressão que os cultores do avanço islamita perderam um pouco do peito. Depois havia a ladainha da violência policial, glosada à exaustão pela NUPES, até que o banditismo associado ao tráfico de droga resolveu reclamar precedên- cia em tão glorioso pedestal. Em Marselha, os homicídios consumados já ultrapassaram as quatro dezenas, para mais de cinquenta serem os na forma tentada. Estes dias, por rajada de metralhadora, foi atingida no terceiro andar em que mora, não estando sequer à janela, uma jovem de vinte e poucos anos. O ferimento é mortal, e não recuperará da morte cerebral.
Para as europeias, será de seguir o que as várias esquerdas, ou o partido de Macron, tenham a contrapor a Marion Marechal Le Pen, do “Reconquista” e a Bardella do RN.

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