Correio do Minho

Braga, sexta-feira

CEJ2012? Oportunidade perdida

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2012-12-11 às 06h00

Francisco Mota

Está prestes a chegar ao fim o ano em que Braga adquiriu o estatuto de Capital Europeia da Juventude, sendo o momento mais do que oportuno para fazer balanços e apurar responsabilidades. Ao longo deste ano fui das vozes mais críticas da execução de todo o evento, sendo o rosto do descontentamento de milhares de bracarenses, face a um projecto que se queria agregador, impulsionador de uma nova Braga, dinâmico e empreendedor. Para mal dos Bracarenses, em especial dos jovens, tive razão na análise que fiz e que muitos consideravam prematura. Mas a verdade é que algo que nasce torto dificilmente se endireita.

O atropelo que foi o contexto associativo da CEJ, demonstrando um desconhecimento completo do concelho e da sua realidade, numa iniciativa que se queria de Todos, mas a onde apenas alguns tiveram voz; a divulgação de um programa geral com falta de ambição; os quadros técnicos mais pareciam uma paga de favores partidários, como se fosse obrigatório ser detentor do cartão rosa; a demissão do director-geral mesmo antes do arranque oficial, com justificações muito pouco convincentes; uma página na internet que chegou apenas mais de um mês depois do arranque da CEJ. E isto foi apenas o início.

O decorrer do ano, confirmou a incapacidade e a irresponsabilidade de uma vereação e demais equipa em gerir o município, bem como de corresponder aos novos desafios que uma capital europeia da juventude impunha. O contexto de internacionalização de Braga, não passou de rastilhos de intenções, porque a estratégia assumida não sustentava a europeização da nossa cidade.

A CEJ deveria ter sido encarada como uma nova janela de oportunidades e esperança para a juventude. Desde logo com esta afirmação e promoção de Braga na euro-região; estreitando as relações entre os jovens cidadãos e as instituições europeias. Basta apenas aperceber da não aproximação a Guimarães enquanto Capital Europeia da Cultura, que significou uma perda considerável de afirmação conjunta do Minho além-fronteiras.

As actividades desenrolaram-se ao tom do programa pouco ambicioso, que demonstrou a necessidade da CEJ tornar-se, em muitas circunstâncias, um verdadeiro “emplastro”, em que figurava de uma forma desesperada com a presença do logótipo nas actividades, e isto aconteceu pela falta de envolvência da comunidade Bracarense e forças vivas da urbe, o que não permitia uma resposta de força e entrega.

O panorama de concretização de “Braga 2012” foi uma desilusão não sendo necessário ser intitulada de Capital Europeia da Juventude para fazer acontecer este programa. Confirmando-se assim, que durante anos os jovens e as suas instituições não existiram para o município, porque se assim não fosse ter-se-iam apercebido que estavam a replicar iniciativas que já há muito aconteciam em Braga e que sempre lhes passou ao lado. Quando houve alguma capacidade de inovação como o programa “Encaixa-te”, a verdade é que as espectativas dos jovens empreendedores foram postas em causa, com uma materialização sob suspeitas.

Num período difícil como o que o país atravessa este ano deveria ter sido sinónimo de esperança e de mudança de rumo em Braga, mas a verdade é que se viveu mais do mesmo. A CEJ deveria ter aproximado os jovens dos órgãos de decisão e assim credibilizar a nobreza da política, mas a falta de transparência nos ajustes directos ou as decisões inflacionadas em certos momentos, teve precisamente a consequência contrária.

A CEJ termina como eu tinha previsto, sem sede e com as obras projectadas para auxiliar o evento sem se concretizarem a tempo. O espaço “GeNeRation” não ficou concluído, bem como a tão prometida Pousada de Juventude em real, que agora chegam a conclusão que talvez não seja a melhor localização. Ou seja teremos obra pronta em 2013, estranhamente ou não em ano eleitoral para a CMB, como também tinha apontado.
Existem três coisas que são irreversíveis: a pedra lançada, a palavra proferida e a oportunidade perdida. Braga 2012 foi uma oportunidade perdida para todos nós.

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