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China: causa do mal ou um exemplo?

Decisões que marcam

China: causa do mal ou um exemplo?

Ideias

2020-03-02 às 06h00

Carlos Pires Carlos Pires

A epidemia que começou na China está a espalhar-se por todo o mundo. A nova epidemia que tem o coronavírus como causa. Preocupante, sem dúvida.
Em Portugal, apesar de todos os casos suspeitos, até à presente data, terem revelado um resultado “negativo”, o coronavírus está a chegar, não tenhamos dúvidas.
Atualmente, o vírus contaminou 77 mil pessoas na China, das quais 2.600 faleceram.
Para o presidente da China, esta já é a maior emergência de saúde desde a fundação do regime comunista, em 1949, sendo certo que o país já tinha sido o ponto de partida da epidemia da síndrome respiratória aguda grave (SARS), em 2002 e 2003, que vitimou 650 pessoas em território chinês

Sem prejuízo das primeiras notícias que deram conta de que o sistema político chinês tentou silenciar o problema, dúvidas não há que foram desenvolvidos e implantados procedimentos destinados a erradicar o problema, como o cordão sanitário e a quarentena. Cidades inteiras foram isoladas de forma a evitar a propagação do vírus, restringindo o deslocamento de dezenas de milhões de pessoas. Utilizou a tecnologia como arma contra o coronavírus – sem quaisquer preocupações éticas: o governo instalou detetores de temperatura corporal em lugares públicos para identificar pessoas com febre, um dos sintomas da doença. Embora ajudem no controlo da doença, as medidas ensejam também um debate ético: a privacidade individual pode ser violada a fim de evitar um problema coletivo maior? A cidade de Hangzhou, por exemplo, já prendeu nove pessoas por terem mentido sobre seu histórico de viagens durante o surto da doença, e outras cidades estudam adotar as mesmas medidas.

Certo é que as autoridades chinesas apontam uma redução no surgimento de novos casos e Pequim anuncia mesmo que a epidemia poderá estar controlada em finais de Abril
Todos temos assistido ao aumento de casos de infeção no mundo. Itália, na velha europa, tem sido mesmo a “responsável” por importação de muitos casos, em Espanha ou mesmo no Brasil. O cenário não se apresenta tão otimista como na China.

O mundo “simplesmente não está preparado” para enfrentar a epidemia de coronavírus, afirmou recentemente o especialista que comandou a missão conjunta Organização Mundial da Saúde (OMS)/ /China, que pediu aos países que aprendam com a experiência chinesa. Essa missão da OMS visitou várias cidades e províncias chinesas, entre elas Wuhan, o epicentro da epidemia, para estudar a sua evolução e efeitos. “A avaliação unânime é que os chineses mudaram o curso dessa epidemia. É impactante”, disse Aylward, um veterano na luta contra o Ébola. “Se tivesse o vírus, gostaria de ser atendido na China”, acrescentou, destacando os esforços realizados por esse país para construir e equipar hospitais.

O desafio mais urgente das autoridades chinesas é, neste momento, garantir que a economia funciona da forma mais normal possível sem comprometer a luta contra o vírus. Na verdade, à medida que os dias passam aumenta o volume de trabalho que não foi feito na China. Os cidadãos estão em casa, há escritórios e fábricas desertos e a economia mundial começa a ressentir-se. O encerramento de algumas fábricas chinesas leva a que empresas em todo o mundo, incluindo empresas portuguesas, comecem a pensar na dificuldade que poderá vir a representar o fabrico dos seus produtos.

Mais tarde ou mais cedo, na China, a epidemia será vencida e a economia chinesa regressará a um caminho normal de crescimento. Ao invés, no resto do mundo ainda há muita incerteza e, convenhamos, pouca ação. Não tem havido restrições às deslocações de pessoas para outros países, sobretudo países com mais pessoas infetadas. E desconhecemos se os sistemas de saúde estarão aptos para enfrentar um acréscimo brutal de doentes.
A China quase parece um exemplo, não fosse o paradoxo de que, por um lado, ao impedir a circulação de informação, contribui para que os flagelos se espalhem antes que seja possível contê-los na origem, mas, por outro lado, o sistema permite-lhe tomar medidas que noutros países seriam difíceis ou impossíveis - fechar cidades inteiras, construir hospitais em dias.

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