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Chover no molhado

Poderá o phygital acentuar a relação dos leitores com as suas bibliotecas?

Chover no molhado

Ideias

2021-06-13 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Tiram-me do sério. Continuamos com o covid às costas, porque não regridam as infecções abaixo de parâmetro arbitrário, embora no demais, no que envolve internamen- tos e óbitos, a evolução seja favorabilíssima. Vejamos: abaixo de 60 casos e por concelho, em 14 dias, está bem; acima de 120, regressa o deus nos acuda.
Comecemos friamente pelo valor numérico: qual o relevo de 121 infecções por 100.000 habitantes? Pouco acima de uma décima de ponto percentual. E não há, em Portugal, como noutros países, fracções bem mais significativas da população que padeçam de flagelos de vária ordem, sem que daí decorra a menor das intervenções?
Mais, centremo-nos no presente. Suponhamos que as autoridades competentes resolvem jogar limpo e, num dia determinado – por exemplo, hoje – identificam 100 indivíduos a quem vem de ser diagnosticada a presença do vírus, selecção aleatória, englobando sintomáticos e assintomáticos. Que os acompanhem do diagnóstico à alta médica, e que nos transmitam os resultados. Verificaríamos o quê: que o processo clínico está longe dos horrores que traçam? Tão longe que as restrições que impõem são aberrativas?

Mais, centremo-nos na realidade. Contados ao dia dez, nas últimas duas semanas PORTUGAL regista 7472 novos casos, ligeiramente acima dos 60 casos por 100.000 habitantes. Digam-me, assim, por que burrice fazemos conta abusiva a habitantes que não temos, colocando 100.000 munícipes em concelhos de raros milhares de almas. Não andará por aí excesso de zelo estatístico?
Ridículo que não nos toca por exclusivo, e por uma vez estamos no pelotão da frente. Que moral tem o Reino Unido para soltar a besta dos cuidados preventivos? Muito bem, fazem eles o que querem, e o nosso peremptório e combativo ministro não apresenta nota formal de protesto? Não resolvia nada, mas eu ficava um bocadito mais orgulhoso. Não nos podemos dar a grandezas, dirão, porque muito conterrâneos nossos labutam por aquelas paragens, e é o receio das retaliações. Mas, por lá trabalhando, não são eles efectivamente necessários ao bom andamento da economia e dos serviços britânicos? Até parece que nos fazem um favor, e logo eles!

O charivari em torno do protesto em frente à embaixada russa em Lisboa. Erro crasso, e novo excesso paroxísmico de zelo. E cá para nós: porque é que a embaixada e demais serviços da Federação Russa teriam de ser notificados da identidade dos putativos oposicionistas. De que um pedido de manifestação houvesse sido deferido – sim, certamente. Que, por hipótese, pudessem pedir para que a autorização fosse revista, ou que o protesto corresse a dez metros, ou a vinte, da porta principal ou da saída de serviço, ou noutro horário, não seria escândalo algum. Em suma, nestas coisas, há o que cabe, e o que não tem cabimento, e ai de que um presidente de câmara seja tido e achado em tal situação. Em todo o caso, culpa dele não sendo, da responsabilidade não se livra. E não se tratará de caso virgem. Estranho!

Recorda Marcelo, e em repetição, que os dinheiros do PRR não são para forrar amigos nem para esbanjar no que não seja prioritário, no que não aporte valor. Suspeito que o PR saiba umas coisas, e os recados que dá são dentro do velho «eu sei que tu sabes que eu sei».
Como é que está o «Braga 27, Capital Europeia da Cultura»? Não está, como o Oeiras vai estando, como Funchal aspira a estar? A que é que se resume a iniciativa, aqui pelas nossas paragens: a umas lonas, a umas torres alusivas ao evento. E, no geral, onde é que Portugal vai buscar tanta cultura para alardear?

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