Correio do Minho

Braga, terça-feira

Chuchar no dedo

O que nos distingue

Escreve quem sabe

2012-09-23 às 06h00

Joana Silva

Chuchar no dedo é uma reacção instintiva primária. Este hábito normalmente tende a desaparecer por volta dos dois anos de idade. As opiniões divergem quanto aos especialistas, se uns consideram- no um mau hábito, outros não, argumentando que o mesmo é uma necessidade fisiológica e que até reconforta a criança. Não obstante, quando as crianças mantêm este hábito mais do que o esperado, é essencial uma especial atenção por parte, dos pais ou cuidador. Parece importante referir que, pelo facto da criança ter o habito frequente de chucar o dedo, não é sinónimo, que a mesma tenha problemas psicológicos ou emocionais. O habito de chuchar no dedo não pode ser comparado a um tique nervoso, como por exemplo, o agitar sistematicamente de uma das pernar, no entanto, ambos podem ter em comum algo, a ansiedade. Ora vejamos, suponha-se o seguinte exemplo, um adulto em contexto laboral é informado que fora referenciado juntamente com outros colegas, para uma promoção no emprego. Ora no impasse da decisão final, se fora ou não o eleito, todo o conjunto da situação origina ansiedade, sendo que a “libertação” da mesma pode manifestar-se através do agitar de uma das pernas. Tal como o adulto, a criança em acontecimentos tidos como “stressores”, como o nascimento de um irmão, a mudança de escola, a falta de amiguinhos com quem brincar, possíveis medos, entre outros, pode desenvolver ou até mesmo suscitar o hábito por forma a aliviar a ansiedade. Este hábito não se desencadeia somente em “situações ameaçadoras”, patenteia-se também em “situações comuns”, ou seja, quando estão cansadas ou aborrecidas. Quando o hábito permanece tardiamente, alguns pais mostram-se apreensivos, por vezes desorientados no que fazer, outros até reagem muito mal. Seguem-se em seguida alguns conselhos. De salientar que, atitudes e “palavras mal dirigidas” prejudicam a auto estima da criança. Pressionar excessivamente a criança a eliminar o habito assim como, atribuir grande importância ao mesmo, consegue-se o efeito oposto ao pretendido. De evitar, usar a violência física ou ridicularizar, pois produz mais insegurança na criança. O pais devem conter-se nos comentários depreciativos tais como, “és um bebé grande”. Tais frases, podem prejudicar e muito a auto estima sobretudo se a criança já se encontra em contexto escolar, podendo mesmo afectar as relações interpessoais e sociais com os amiguinhos. Pode ser explicado à criança, de uma forma delicada e não agressiva que a repetição sistemática do habito, pode causar “dentinhos tortos”. Quando é feita uma abordagem agressiva por parte dos pais, como por exemplo “ …chuchas muito no dedo, assim vais ficar com os dentes tortos e os dentista vai ter de os tirar todos” . Ora esta abordagem, pode ser chocante e até traumatizante para a criança que pode mesmo vir a desenvolver aversão às idas ao dentista. Sempre que o hábito se manifeste, pode-se sempre propor actividades que desfoquem a atenção do chucar no dedo, como por exemplo, ilustrar um desenho. Antigamente era comum, colocarem pimenta ou outra substancia de aroma forte na boca da criança pois acreditava-se que assim eliminar-se-ia “o vicio”. Este “método” é de todo prejudicial, pois o organismo da criança é muito sensível e pode reagir negativamente. A criança “mais ou menos dia” acaba por eliminar este hábito sendo que o mais importante é respeitar o seu timing.

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