Correio do Minho

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Cimeira de Doha: se não agora, quando?

Cartas de saudade

Ideias

2012-12-12 às 06h00

Pedro Machado Pedro Machado

Terminou no passado sábado a 18ª Conferência da ONU sobre as alterações climáticas, que se realizou em Doha, no Qatar, tendo como resultado principal um acordo para prolongar o protocolo de Quioto até 2020. Mais uma vez, os interesses económicos se sobrepuseram à sustentabilidade ambiental.

O objetivo principal desta cimeira seria avaliar os progressos dos diferentes países na redução da emissão de gases com efeitos de estufa. As negociações foram intensas, contando com a presença de cerca de 200 países, e culminaram depois de um longo impasse, já para lá da data prevista para o seu término. Os dirigentes de cada país quase foram coagidos pelo Presidente da Ci-meira a não abandonarem sem que houvesse decisões.

No entanto, apesar de ser um bom resultado, não nos podemos esquecer que os principais emissores de gases com efeitos de estufa não fazem parte deste acordo. China e Estados Unidos da América nunca ratificaram o tratado e o Canadá, Japão, Nova Zelândia e Rússia optaram por ficar fora deste acordo. Esta maioria de países que acordaram esta extensão do protocolo corresponde a apenas 15 por cento do total das emissões. Acaba por ser um adiar do problema.

Para a União Europeia, segundo o presidente da comissão parlamentar do Ambiente, “é tempo de agir!”. Há que fazer alguma coisa, se nada for alterado no que diz respeito à redução das emissões de gases com efeitos de estufa, será impossível manter os níveis de aquecimento global na temperatura média de crescimento de 2º C. Os especialistas defendem que se tal acontecer, existem sérios riscos de perigosas alterações climáticas.

Assim, alguns eurodeputados estiveram presentes em Doha, como observadores, partilhando também a sua experiência relativa a legislação e proteção ambiental, com outros governos.
Para a União Europeia, para ser um sucesso, a Conferência de Doha deveria focar-se em três aspetos essenciais: objetivos mais ambiciosos relativos à redução das emissões de gases, reforço dos acordos alcançados em Durban, em 2011, e um acordo global e juridicamente vinculativo.

Apesar de tudo o acordo alcançado permitiu que a cimeira não fosse um completo fracasso. No entanto, mais uma vez, estas cimeiras terminam com um adiar do problema. Qual será o futuro? Para que servem estes compromissos, se não se tomam medidas mais eficazes, por este andar as alterações climáticas apresentam-se com um problema irreversível.

No seu discurso a representante das Filipinas, país que acabara de sofrer com cheias desastrosas, questionou o seguinte: “Se não agora, quando? Se não aqui, onde?” São perguntas que não podem ficar sem resposta. Os responsáveis governamentais têm de ter coragem de agir, de não adiar o problema para os seus sucessores, senão corremos o risco de aniquilar, em breve, o Planeta Terra!

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