Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Civitatis FORUM

Fernando Silva, o tocador de sinos de Tibães

Civitatis FORUM

Ideias

2018-05-15 às 06h00

João Marques João Marques

Foi a cidadania plena dos bracarenses que também saiu reforçada pelo renascimento de um equipamento que promete ampliar o debate, desenvolver o modelo económico concelhio, desbravar novos domínios no âmbito cultural e estruturar a capacidade de resposta da cidade aos desafios organizacionais que os grandes eventos lhe colocam. Braga viu recentemente nascer um espaço de grandíssima qualidade para albergar as mais diversas realizações, colocando-a nos roteiros nacionais, regionais e internacionais do turismo de negócios.
Sobre as óbvias implicações económicas e de desenvolvimento no concelho que este espaço representa, deixarei o pronunciamento para quem de direito, sem, todavia, me abster de sublinhar o indisputável.

O velho Parque de Exposições era velho? Não posso deixar de afirmar que sim, sob pena de condenar a redundância da minha premissa à idiotice. Estava, portanto, obsoleto? A esta pergunta ainda mais afirmativa se torna a resposta. O frio, a chuva que já lá caía no interior, a vetustez das infraestruturas e a degradação de alguns espaços desaconselhavam a presença de pessoas mais frágeis e eram um verdadeiro desafio aos visitantes mais robustos. Para quem viesse a Braga pela primeira vez, o PEB não era seguramente um dos espaços que se sugeriria no roteiro de imperdíveis do concelho. Se alguma coisa de marcante tinha, esse algo era a capacidade de repulsa imediata de grandes eventos e figuras face às manifestas limitações de uma velha glória, típica de um tempo que passou.

Com nova imagem, renovadas capacidades e vontade política de fazer acontecer, o novo Forum representa o avanço civilizacional indispensável. E dizer civilizacional não é ultra-adjetivar o salto que agora é dado. Tínhamos em mãos, para todos os efeitos, um espaço do cretáceo das feiras de negócios e passamos a ter instalações da maior contemporaneidade, dignas de albergar qualquer momento de relevo nacional ou internacional, seja no âmbito dessas mesmas feiras, seja para outros eventos de índole cultural ou desportiva.
Não é difícil, por isso, reconhecer ao novo Forum capacidades incomuns para dar a Braga e à região um novo fôlego de independência face aos dois grandes polos aglutinadores de tudo quanto é negócio ou esboço de negócio no país (Lisboa e Porto, para os mais desatentos). Se Braga queria e quer ser líder no plano regional, nacional e eurorregional, tinha que o assumir sem pejos e a plenos pulmões. Foi isso que fez sem, contudo, prejudicar as contas da autarquia, as gerações futuras e os bolsos dos bracarenses. Lembram-se do discurso da falta de obra e de como eram só festas e festinhas? Pois, também eu. Veremos, agora, o que dirá a oposição, visto que se provou que é possível fazer obra (de betão) sem eleitoralismos, derrapagens infindáveis ou elefantes brancos.

Disse, no início, que, com o novo Forum, se poderá ampliar o debate e redigo-o agora, pois esta é uma dimensão que não tenho visto suficientemente tratada. Com novas salas, com maior conforto, com melhores condições técnicas e disponibilidade de espaços alternativos, dá-se espaço à pluralidade de iniciativas, à potenciação da diferença e ao aproveitamento das múltiplas vertentes da cidadania participativa que a democracia conhece. Sim, é verdade que este Forum (re)nasceu com um intuito vincado de promover o concelho como um dos principais destinos de feiras e congressos de negócios, mas tal não desmerece a outra vertente, já conhecida do velhinho PEB, e que agora seguramente sairá revigorada. É sabido que as assembleias municipais tinham no Parque de Exposições a sua sede.
Numa sala (reconheça-se) desmesurada para o número de membros eleitos pelos bracarenses e, infelizmente, sobredimensionada para a quantidade de cidadãos que a elas acorriam, ali decorreram inúmeras discussões políticas de digno relevo, quer no período jurássico, quer na modernidade.

Não é justo atribuir apenas à dimensão do auditório ou às deficientes condições térmicas do PEB a modesta participação popular que se tem verificado nestas reuniões magnas, ainda que com honrosas exceções. Mas se tal teve algum peso no passado, é agora incomportável manter a sugestão de que a culpa é do betão. Seja pela novidade inerente à inauguração recente, seja pelo redobrado apelo do debate democrático em Braga, os cidadãos deixam de ter desculpa para não participarem nestes momentos vitais da democracia local.
Para além dessa evidente manifestação pluralista da refrega política, viva e intensa, das forças partidárias com representação institucional (e dos bracarenses que ali entendem intervir), o Forum terá ao dispor do concelho um conjunto de salas e áreas próprias para outras manifestações de idêntico pluralismo e ativismo cívico e cultural que poderão servir justamente para reavivar o espaço público de debate que nos deve unir e dividir saudavelmente.
Os dados estão, pois, lançados, oxalá saibamos aproveitar a fortuna que nos caiu em sorte.

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