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CLOSE-UP: Cinema na Cidade

É tempo…

Ideias

2020-09-24 às 06h00

Vítor Ribeiro Vítor Ribeiro

Em Outubro de 2016, com um nome tomado de empréstimo a um dos filmes do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, o CLOSE-UP fundou-se com um primeiro mote dedicado à memória. Num formato inovador, como parte da programação do Teatro Municipal, estabeleceu a ambição de promover um diálogo com toda a comunidade, à procura de relações e de paisagens ampliadas pela lente do Cinema. Esse estatuto de Cidade-Cinema, que reivindica o protagonismo para o Cinema e os seus autores, proporcionou uma crescente participação, um reiterado encontro de públicos, de cinéfilos, de estudantes, de famílias, de profissionais do cinema, de académicos e artistas, que situou Famalicão como ponto da rota dos eventos dedicados ao Cinema em Portugal, com as sessões comentadas como um dos traços distintivos.
As quatro edições passadas, constituíram-se como um panorama de encontro de cinematografias do presente com um passado de histórias do cinema, fomentando, também, o cruzamento de linguagens, com destaque para os filmes-concertos, momentos altos de criação, com lugar no legado da Casa das Artes, na apresentação em estreia e com o ecletismo que os nomes validam: Sensible Soccers, Dead Combo, The Legendary Tiger- man, Mão Morta ou Orquestra Jazz de Matosinhos.

A produção portuguesa auferiu de estatuto de relevo, com mostras e apresentações de novas obras, resultados de encomendas, que depois percorreram o circuito de festivais, e em que sobressaem os jovens realizadores Mário Macedo, Tânia Dinis e Eduardo Brito. O progressivo envolvimento com a população escolar, com sessões e demais propostas para todos os ciclos de aprendizagem, divididas entre os auditórios da Casa das Artes e os Agrupamentos de Escolas, ampliou a relação com os vários intervenientes e parceiros e contribuiu para robustecer a relação com a comunidade.

Chegados à quinta edição, o programa do CLOSE-UP surge adaptado às condicionantes que vivemos, para salvaguardar a segurança dos espectadores, mas sem abdicar da importância da relação do público com a sala de cinema: um episódio orientado pelas relações do Cinema com a Cidade, no reiterado encontro entre ficção e documentário, produção contemporânea e história do Cinema.
Os filmes-concerto voltam a mostrar-se como um dos destaques do programa, nas noites de abertura e de encerramento: o rock corpulento dos Black Bombaim e a eletrónica de Luís Fernandes, na apresentação de uma banda sonora original e em estreia para A Idade de Ouro, o manifesto surrealista de Luis Buñuel; a voz de Cristina Branco e as novas formas do fado a sublimarem o encontro dos amantes em The River, poderoso exemplar da filmografia de Frank Borzage, um dos protagonistas da Hollywood clássica.

A secção que intitula o mote desta edição será preenchida de Cinemas, de salas que são abrigos da cidade, como em A Angústia do Guarda-redes no Momento do Penalty de Wim Wenders, de cidades inventadas pelo cinema, nos lugares das memórias de Federico Fellini e nos compartimentos e galerias da obra de Pedro Costa, ou distópicas e engolidas pelos géneros, como um filme negro em Macau, um subúrbio de Paris vigiado por drones, ou uma povoação do sertão brasileiro contaminada por John Carpenter.

As Histórias do Cinema serão preenchidas pelo fértil período mexicano de Luís Buñuel: duas décadas de produção, sob influência dos modelos de Hollywood, no tratamento dos temas, símbolos e fetiches do cineasta aragonês, que terá continuação nas réplicas do Observatório de Cinema, com presença na agenda do Teatro Municipal a cada dois meses. Numa edição com uma forte presença da produção portuguesa, destaque para o olhar de Pedro Filipe Marques, um dos principais montadores do cinema português, que desenvolveu em paralelo um percurso de documentarista, de retratos e reflexos justos do quotidiano, num programa que inclui uma carta branca ao realizador, que escolheu A Costa dos Murmúrios de Margarida Cardoso.

Apesar das limitações ditadas pelo presente, com a consequente diminuição de intensidade do programa, o CLOSE-UP prossegue a relação profícua com a comunidade escolar: as várias sessões e actividades completares, a realizar também nas escolas, incluem propostas de animação e de documentário, e constituirá uma das facetas nucleares do programa, em diálogo com a restante programação, mas também com um enfoque na passagem dos 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.
Notas finais para a rubrica Café Kiarostami, que servirá música, a poesia de Buñuel dita por Isaque Ferreira e os vídeo-ensaios de Luís Azevedo, e para o espaço reservado pelo programa para propostas de animação que reunirão famílias na grande sala de cinema.

Não há outro lugar como o cinema, dizíamos como epígrafe numa das edições anteriores, que reinscrevemos: um programa de cerca de 30 sessões em oito dias, onde o espectador é convidado a participar no conjunto de perspetivas, da projeção de clarões e de sombras do Cinema, que ambicionam reconfigurar o nosso lugar na cidade.
Programa completo em www.closeup.pt e www.casadasartes.org

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