Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Clusters Tecnológicos - clusters estratégicos para a inovação

O CODIS fala

Ideias

2016-02-20 às 06h00

Vasco Teixeira

AComissão Europeia reconhece na sua estratégia que a inovação é o principal motor do crescimento económico e do emprego.
O conceito de Cluster foi introduzido pelo economista Michel Porter em 1990, no seu livro Competitive Advantages of Nations ('As vantagens competitivas das nações').
Porter define Clusters como “concentrações geográficas de empresas interligadas, fornecedores especializados de produtos e serviços, empresas em setores afins e entidades que lhe estão associadas - universidades, entidades públicas, associações empresariais - em áreas específicas que concorrem, mas que também cooperam entre si”.
A política de clusters é um instrumento muito importante no estímulo ao processo de inovação, de internacionalização de empresas e cadeias de valor. Porter refere que os clusters têm o potencial de melhorar a competitividade industrial de três formas diferentes: i) Incrementando a produtividade das empresas ligadas ao cluster; ii) Aportando inovação; iii) Estimulando a criação de novas empresas.
Nos últimos anos, são muitos os estudos efetuados a nível internacional sobre a relevância das políticas de clusterização no que se refere ao aumento da competitividade da economia de um país ou de uma região. Autores como Paul Krugman ou Michael Porter têm estudado as vantagens da localização geográfica e da cooperação para a competitividade de uma região ou país. Em muitos desses estudos são referidos contributos como o aumento da produtividade das empresas, a facilitação do acesso das empresas ao mercado, o estímulo à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, a promoção do empreendedorismo de base tecnológica, entre outros.
Pertencer a um determinado cluster tecnológico constitui uma vantagem concorrencial importante para as empresas (em particular as PME). Os clusters contribuem para reduzir o fosso entre empresas, investigação e recursos, fomentando a valorização económica do conhecimento. Os clusters de sucesso promovem, além da cooperação, uma concorrência intensa. Aumentam a produtividade, atraem o investimento, promovem a investigação, reforçam a base industrial e criam produtos ou serviços específicos, sendo assim um foco de desenvolvimento de competências. Clusters de nível mundial atraem quadros altamente qualificados e investidores que suportam a inovação - Silicon Valley é o exemplo mais conhecido.
O papel dos clusters enquanto plataformas de inovação aberta está amplamente analisado em diversos estudos, reconhecendo-se a sua importância no acesso e partilha de conhecimento, no fomento de práticas colaborativas, em fases iniciais dos processos de inovação, I&DT e de internacionalização e na cooperação intersetorial.
Ao longo dos últimos anos, os vários programas de Governo têm procurado refletir a importância crescente da clusterização para o aumento da competitividade da economia portuguesa, identificando os setores considerados estratégicos e as medidas a tomar para o estímulo à emergência e consolidação de clusters e pólos.
Embora recente, a política de clusterização nacional apresenta muitos pontos em comum com as tendências europeias, assumindo a cooperação como uma dimensão central (ficando salientado no próprio conceito de “Estratégia de Eficiência Coletiva-EEC”) e definindo objetivos ligados à inovação, qualificação e modernização, à I&DT e à internacionalização.
Alguns exemplos de Clusters e Pólos (EEC) apoiados em Portugal são: Mar, Indústrias Criativas, Tecnologias de Produção (PRODUTECH), Mobiliário, Vinhos, Moda, Saúde, Turismo, Energia, TICE.
As estratégias de investigação e inovação para a especialização inteligente regional (RIS3), assentam, entre outros, na “Conetividade e Clusters”, isto é, conetividade relacionada e intersetorial, ligações internas na região e externas, que têm como consequência a diversificação tecnológica especializada. Os Clusters Tecnológicos assumem também um papel crucial no processo de re-industrialização e do crescimento sustentável do país.
Importa salientar, que têm vindo a surgir na Região Norte setores emergentes alicerçados em empresas nacionais de elevada dimensão e em instituições de ensino com competências científicas e tecnológicas e com capacidade de formação de recursos humanos altamente qualificados. São exemplos os setores das TICE, das máquinas e material elétrico, do mar e da saúde. Com cerca de uma centena de projetos de I&D (e um total aproximado de 50 milhões de euros em financiamento), listam-se de seguida algumas das prioridades tecnológicas com mais projetos desenvolvidos no âmbito das EEC:
Polo das TICE - Desenvolvimento de plataformas, produtos e serviços que promovam a criação de um mercado aberto e normalizado de Cloud Computing, nas áreas de IaaS (infraestrutura como um serviço) e SaaS (software como um serviço).
Polo da Saúde - Desenvolvimento de produtos ou processos inovadores para diagnóstico, prognóstico, tratamento ou prevenção de doenças, lesões ou deficiências.
Cluster Habitat Sustentável - Desenvolvimento de materiais e produtos inovadores para a construção sustentável - ambiente construído saudável baseado na utilização eficiente de recursos e em princípios ecológicos.
Polo das Tecnologias de Produção - Desenvolvimento de sistemas de produção inteligentes que incorporem novas funcionalidades de comando, controlo ou gestão.
Polo da Moda - Desenvolvimento de novos produtos na fileira da moda com desempenhos significativamente acrescidos nos domínios do conforto, saúde, segurança, ecologia e sustentabilidade.

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