Correio do Minho

Braga,

Com papas e bolos se enganam os tolos

Amigos não são amiguinhos

Ideias Políticas

2014-11-18 às 06h00

Hugo Soares

A sensivelmente um ano de eleições legislativas, o candidato a Primeiro-Ministro do Partido Socialista ainda não disse ao que vem. Com a arrogância de quem julga que o povo passa cheques em branco, com o ar de uma certa aristocracia que se julga imune à crítica e com a bênção passiva de uma parte da comunicação social, eis o Dr. Costa a caminho das eleições.

Com ele vieram os outros. Os socráticos voltaram todos. Em seu esplendor e pujança. É Vieira da Silva que dizia, em 2010, que a austeridade era imprescindível para assegurar o financiamento da economia. Hoje, lança horrores contra a consolidação das contas públicas que nunca conseguiu! Deixou o défice em cerca de 11%, hoje procuramos alcançar 2,7%! O mesmo que dizia, em 2010, que 2011 não seria um ano de recessão! A economia contraiu em mais de 1,5%! Hoje crescemos acima da média Europeia! Era o desemprego que não ia crescer! Superou os 17%. Hoje, procuramos baixar a barreira (ainda alta de mais) dos 12%.

É Ferro Rodrigues que aplaudiu e apoiou José Sócrates. É Paulo Campos, o campeão das PPPs. É Jorge Lacão. É Pedro Nuno Santos, o tal que dizia que punha os credores com as pernas a tremer e não pagava a dívida. É o típico caso do “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és”.
Mas se os rostos, os protagonistas, os agentes políticos são importantes, fundamental são as políticas. E aí o pouco que se conhece das ideias do Dr. Costa levam-nos para o pior de Sócrates. Ninguém se esquecerá do ano de 2009 e das vésperas de eleições. Subiram-se os salários.

Baixaram-se o impostos. Consequência? A seguir cortaram em dobro os salários, aumentaram todos os impostos e nem assim se evitou a bancarrota! Ora, o Dr. Costa parece querer exatamente o mesmo. Descer impostos. Repor os salários na totalidade. Cortar? Não! Em nada! Cumprir défice? Mas para quê?! Dívida? Continuar a pedir emprestado! E depois? Depois quem vier atrás que feche a porta! 

Numa palavra, do pouco que o Dr. Costa parece ter para propor ao País, podemos assegurar com grande grau de certeza que todos os sacrifícios que as famílias e os empresários fizeram nos últimos anos serão desperdiçados. Os primeiros tempos serão de ilusão e encantamento. Depois, depois quando já não houver volta virá novo resgate, nova Troika, novos sacrifícios. E esses serão certamente mais duros!

Depois de três anos de dificuldades e de sacrifício, o “canto de sereia” com que António Costa e os seus correligionários tentam atrair os portugueses para um mundo que é, ao mesmo tempo, de fantasia e de ruína, representa a reposição do logro que nos levou ao resgate internacional, uma atitude indesculpável por parte daqueles que estiveram na linha da frente da irresponsabilidade, olhando, impávidos e serenos, da poltrona do poder, para o desmoronamento do país. Os que ativamente promoveram e interpretaram a política de “Estado queimado”, pondo em causa o reduto essencial do Estado de Direito democrático e não apenas o Estado Social, não merecem o benefício da reabilitação e muito menos o prémio do regresso à liderança dos destinos comuns.

O risco de repetirmos e agravarmos o sofrimento por que passamos enquanto nação, enquanto famílias e enquanto pessoas é demasiado alto. Por tudo isto, em 2015 não se decide apenas quem vence as eleições, decide-se, antes de mais e sobretudo, se finalmente se rompe com uma cultura de incompetência irresponsável e se cumpre o desígnio por que há tantos anos aguardamos, decide-se, em suma, se cumprimos Portugal.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

11 Dezembro 2018

Cultura plena

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.