Correio do Minho

Braga, sábado

(Com) Responsabilidade

Menina

Ideias

2015-02-10 às 06h00

Analisa Candeias

Estamos rodeados de responsabilidade. É quase inata a obrigação do crescimento, do desenvolvimento, da produção. Somos impelidos a uma busca do que é realmente importante e essencial para nós, como se de uma demanda se tratasse. Por vezes esquecemo-nos da responsabilidade e deixamos os outros, talvez as diferentes comunidades e a sociedade, assumirem o dever de cuidar de nós.

Deixamos que a responsabilidade das nossas vivências, da nossa saúde e do nosso bem-estar seja providenciada por quem não nos conhece, por quem, eventualmente, vulgariza, por quem (apenas) tenta atingir o bem comum geral. Porquê? Porque não assumimos nós, pessoas conscientes, informadas e com respeito próprio, o rumo do nosso desenvolvimento enquanto pessoas e seres humanos?

O cuidar a própria saúde - o corpo, a mente, o espírito, as relações - poderá constituir uma meta e um objetivo global para o bem-estar de cada um de nós. Os níveis de felicidade e conforto aumentam quando nos sentimos bem, quase como “em forma”, e conseguiremos modificar os nossos indicadores individuais de energia, de cansaço, de robustez. A nível coletivo iremos contribuir para uma diminuição dos encargos para com a saúde, para um aumento de inter-relações mais prazenteiras e salutares, para uma prevenção das doenças da mente e do espírito e para, acima de tudo, uma melhoria dos cuidados ao Outro que realmente necessita deles.

No fundo, continuamos rodeados de responsabilidade quando falamos em saúde. Cada um de nós pode, deve, contribuir para o seu bem-estar e cuidado individual, através de pequenas ações no seu dia-a-dia, pequenas participações que levam e conduzem a grandes resultados. Um deles, hoje em dia tão em voga e na moda, é o exercício físico adaptado às condições de cada um. Uma simples caminhada - com uma boa companhia, preferencialmente - em passo firme, em tempo adequado às exigências individuais é suficiente para a realização de uma prática de movimento.

Os cuidados com a alimentação, com atenção ao gosto e preferências individuais, tendo em conta a variedade e aquilo que a nossa terra tão rica nos habitualmente dá, pode concorrer para uma diminuição do risco de doença cardiovascular, para a perda de algum peso e até para diminuir os gastos que se realizam nos diferentes mercados. Temos uma dieta, por natureza, rica e diversa, tão mediterrânea que nos ajuda à manutenção daquilo que se considera uma correta nutrição - vamos saber aproveitá-la.

A ocupação, como contrária e antídoto da preocupação e stress, que nos liberta das formas rotineiras de obrigações e inquietações, consegue traduzir-se sob a forma de passatempo, distração, bordado, palavras-cruzadas, teatro, dança, associação cultural, recreação, voluntariado ou até mesmo na colaboração com os familiares na ajuda com os sobrinhos, netos, avós ou outros afins. Cada ser, individualmente, deve procurar a ocupação que o libera do hábito e do costume, no sentido de promover a autoaprendizagem, a própria realização e o equilíbrio mental.

Somos um povo de alegria, de ligação, de partilha na melancolia, de danças e cantares, pelo que o cultivo de (boas) relações igualmente deve ser promovido e fomentado. As amizades, os convívios e as boas alegrias são um condimento essencial para a criação e manutenção da saúde, e igualmente para os alertas daquilo que nos pode ser prejudicial, pelo que os diferentes contactos com pessoas que mantenham relações saudáveis necessitam de ser privilegiados. Darmos valor e preservarmos quem e o que nos permite a felicidade - pelo requinte da simplicidade das pequenas coisas.

Não é difícil a responsabilidade. Mais árduo é o caminho para se iniciarem estes novos pequenos percursos que nos podem conduzir a estados de maior e melhor saúde. Por vezes basta a ideia de começar. Outras vezes é suficiente a perspetiva de cuidar melhor do nosso corpo e da nossa mente. Para alguns é a manutenção do que tem vindo a ser feito. Para outros o insight de que assim será tudo bastante melhor. Não é importante a forma. O essencial, como sempre, é o conteúdo do que realmente é possível realizarmos. Pela nossa, e pela vossa, saúde.

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