Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Comércio tradicional - um comércio de futuro?

As zonas rurais, os desafios do presente para preparar o futuro

Escreve quem sabe

2014-10-10 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

A designação comércio tradicional é a mais comum e a que melhor é percebida pelos consumidores para identificar o pequeno comércio. Todavia, esta designação arrasta atrás de si algumas conotações negativas. Não raramente, os consumidores associam o comércio tradicional a uma forma de comércio antiquada, desactualizada e pouco dinâmica. Para esta percepção muito contribuíram alguns discursos alarmistas que anunciavam o “desaparecimento” do comércio tradicional face à abertura de grandes superfícies comerciais e à suposta incapacidade de competição dos pequenos comerciantes com os gigantes da distribuição e do comércio especializado.

Confesso que, por causa da herança que a designação comércio tradicional carrega sobre o pequeno comércio, prefiro utilizar outras designações. Comércio de proximidade; comércio local; comércio de rua, são algumas das designações que se utilizam vulgarmente e às quais não é usual se associar qualquer tipo de conotação depreciativa. Porém, a maioria das pessoas reconhece muito mais facilmente a designação comércio tradicional do que estas.

A verdade é que o comércio tradicional constitui um património insubstituível na afirmação das vilas e cidades do país e é parte integrante da memória colectiva das populações. Não podemos esquecer que a maior parte das localidades se desenvolveram a partir das suas zonas comerciais.
Pessoalmente acredito que o comércio tradicional é o comércio do futuro. Mas, para isso, precisa de ser capaz de inovar, de se reinventar, de se adaptar às exigências e às expectativas dos ‘novos’ consumidores. Felizmente, se há tradição no comércio tradicional é a da procura constante da novidade. Não é à toa que os clientes habituais das lojas do comércio tradicional perguntam tantas vezes pelas famigeradas ‘novidades’. Estão, de facto, habituados a ser surpreendidos regularmente com novos produtos, novos serviços e novas formas de fazer comércio.

Creio que a chave para o sucesso para que o comércio tradicional se volte a impor como o preferido dos portugueses seja a adopção de um serviço de excelência e o estabelecimento de relações de confiança e de proximidade afectiva com os clientes. Só assim julgo ser possível que o comércio tradicional seja capaz de prevalecer na mente dos consumidores perante a concorrência agressiva dos centros comerciais e das grandes superfícies. No entanto, para se lá chegar é preciso operar uma enorme mudança nas empresas comerciais, sobretudo ao nível da formação dos seus activos, na “profissionalização” da sua gestão e na assunção de uma estratégia de atuação assente na cooperação empresarial.

Nos centros comerciais e nas grandes superfícies tudo parece apelativo: os horários alargados; o conforto; a facilidade de acesso e de estacionamento; a oferta comercial diversificada; as zonas de lazer; no entanto, nestes formatos comerciais as relações tornam-se frias, formatadas, impessoais, subtraindo a magia da relação entre o vendedor e o comprador. Tudo parece artificial.

Os consumidores, passado o entusiasmo inicial da novidade que constituiu o surgimento daqueles formatos comerciais, vão reconhecendo, cada vez em maior número, as vantagens do comércio de rua, da sua capacidade de oferta, da envolvente histórica e cultural, do património identitário, dos afectos, sentindo que ao comprar no comércio local estão a contribuir para a sua própria riqueza, dos seus familiares, amigos e conhecidos.

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