Correio do Minho

Braga, sexta-feira

- +

Como se escreve o amor

Futebol: amanhã todos os caminhos vão dar a Braga

Conta o Leitor

2019-08-08 às 06h00

Escritor Escritor

Ana Teresa Cruz

Olha, sabes? Ainda não é hoje que sei como se escreve o Amor. Não! Não te vás embora, eu ainda não acabei. Eu amo-te, só te estou a dizer que ainda não sei como é que se escreve esse sentimento.
Eu amo-te. Amo-te nas horas, nas esperas, nos silêncios e amo-te tanto que até o Amor se torna pequeno ao ver o tanto que te amo.
Ri-se, Ele, o Amor. Ri-se e chora, como nós fazíamos quando falávamos Dele antes de eu O tentar escrever. Nesta impossibilidade de fazer, eu prefiro vivê-lO. Mas, por incrível que pareça, não sei também viver o Amor.
Às vezes amo-te e não sei como te amar, outras vezes magoo-me por te amar tanto e demais e por permitir que O uses em palavras cruéis que voam da tua garganta e me ferem o peito como uma navalha.
Amo-te tanto, amor, e não sei ainda como se escreve o Amor.

Depois tu sorris, eu enrolo-me nos teus ombros, e descubro cada traço teu do teu Amor, do meu Amor. Cobres-me nas noites mais frias com os lençóis de flanela e dás-me aquele beijinho na testa como quem diz “Eu protejo-te, para sempre”, e, nesses momentos, as palavras que eu arranjara para falar do Amor desaparecem para que me permita doar às sensações e à felicidade dos pequenos grandes gestos.
Se calhar os nossos amores não são como o Amor. Se calhar podemos decifrá-los, explorá-los. Mas, espera, hoje não. Hoje… Hoje quero só amar-te. Hoje quero só amar-te, mesmo sem saber como fazê-lo sem gastar o Amor e torná-lo vulgar.

Talvez um dia encontremos o porquê de eu te amar tanto. Talvez um dia eu saiba escrever o Amor e possa defini-lo com as palavras mais bonitas que poderás ouvir. Talvez poderei, no futuro, descrever o que sinto quando os teus olhos cruzam nos meus e quando atravesso a tua alma sem te aperceberes e a transformo em pérolas e lembranças. Talvez um dia seremos mais do que Ele.
Hoje, somos só nós, nós e o nosso bonito Amor inexplicável e incompreensível, mas que nós amamos sem saber amar e que nós vivemos sem em palavras conseguir transformar.
Ainda bem que não te foste embora. Cobre-me novamente, por favor, e dá-me a mão.
Eu amei-te ontem, amo-te (muito) hoje, e amar-te-ei amanhã (ainda mais), mas, amor, não sei ainda como se escreve o Amor.

Deixa o teu comentário

Últimas Conta o Leitor

29 Agosto 2019

Dor

28 Agosto 2019

As batatas fritas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.