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Comunidades de aprendizagem

A pandemia está a alterar negativamente a nossa mente – como combater?

Comunidades de aprendizagem

Voz às Escolas

2020-11-23 às 06h00

Jorge Saleiro Jorge Saleiro

Continuamos a debater-nos com a segunda vaga da pandemia, enquanto comunidade. A cada dia que passa, com o agravar dos números, reforçam-se os apelos para que todos colaborem no esforço de contenção de contágios, através de comportamentos responsáveis e solidários.
As escolas são parte integrante deste esforço comum, organizando-se para a prevenção e fomentando os comportamentos adequados a este contexto tão exigente e desafiante. Algumas das medidas que tiveram de ser adotadas causaram, inclusivamente, impacto em projetos pedagógicos que estavam a ser desenvolvidos.
No caso do Agrupamento de Escolas de Barcelos, foi necessário adaptar a implementação de um projeto que visa o desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do trabalho colaborativo, entre outros objetivos.

Designado por “Comunidades de Aprendizagem”, o projeto foi criado pelo professor Paulo Correia, e destinava-se, numa primeira fase, à disciplina de Matemática, mas, de imediato, foi alargado a outras disciplinas como o Português e a História.
O projeto foi apresentado com uma sólida base científica, com profusa sustentação em estudos de especialistas, sublinhados pelo entusiasmo e convicção do seu mentor, o que transmitiu a todos os envolvidos a confiança e a segurança necessárias para o fazer avançar.

Para que o projeto se concretizasse, seria necessário, não só recursos humanos motivados, mas também recursos materiais e alterações na organização escolar. Os primeiros estavam assegurados à partida. Os restantes foram conseguidos, ainda que fosse desejável ir mais longe no que a recursos tecnológicos diz respeito. Talvez o Plano de Transição Digital venha dar um novo impulso neste capítulo.
Em traços muito gerais, o projeto caracteriza-se por prever a colaboração entre duas turmas, a coexistirem num mesmo espaço de aula, que se organiza em áreas diferenciadas, destinadas a que os alunos trabalhem de forma diferenciada, permitindo que um par pedagógico de docentes trabalhe colaborativamente, facilitando, assim a diferenciação pedagógica em aula. O projeto valoriza, igualmente, a envolvimento do aluno na evolução das suas aprendizagens, privilegiando o trabalho em grupo, a responsabilidade individual, a autonomia e a participação em assembleias de turma, que contribuem para a regulação das aprendizagens e do trabalho desenvolvido.

O projeto previa atingir os objetivos de melhorar o ensino da Matemática (e consequentemente de Português e História) tirando proveito do trabalho colaborativo, melhorar a qualidade das aprendizagens dos alunos; promover melhor diferenciação pedagógica em sala de aula; otimizar o papel da avaliação formativa na regulação do processo de ensino e de aprendizagem; melhorar o processo contínuo de reflexão/ação sobre a prática letiva e viabilizar diferentes zonas de trabalho na sala de aula.

Após o primeiro ano de implementação, e apesar de ter sido afetado pelo início da pandemia, foi realizada uma avaliação junto de todos os implicados (professores, alunos e encarregados de educação), permitindo fazer um balanço sustentado da sua eficácia. Do estudo realizado resultou uma opinião francamente favorável por parte de todos grupos participantes, com um grau de concordância elevado em todas as afirmações apresentadas, revelando que os objetivos foram alcançados.
Como se afirma no início, face à pandemia, foi necessário reprogramar o projeto, adaptando-o à nova realidade e aos constrangimentos próprios deste ano letivo. Por isso, e porque muito ficou por dizer, voltaremos a este assunto no futuro, com a convicção prévia de que o projeto resistirá a esta provação e se tornará ainda mais relevante.

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