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Construir novas rotas para a educação

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Construir novas rotas para a educação

Voz às Escolas

2021-11-08 às 06h00

Maria da Graça Moura Maria da Graça Moura

“A educação não muda o mundo, muda as pessoas que irão mudar o mundo.”
Paulo Freire

As escolas estão confrontadas com um enorme estímulo: fazer mais, fazer melhor, fazer diferente,….. Pretende-se que até 2023 os alunos recuperem as aprendizagens perdidas, no âmbito do designado Plano21|23 Escola+.
Mas será que estamos a fazer a melhor leitura destes processos? Será que é adequado dizer que vamos agora recuperar o que, supostamente, se perdeu nos tempos de confinamento? Será que é assim que a escola funciona harmonicamente? …. Interessa ou não conhecer os efeitos, os impactos da pandemia no indivíduo e analisar o que é necessário repor para equi- librar emocionalmente, para tornar novamente saudável a comunicação, o convívio, a confiança, a necessidade de saber, de aprender, de estar, de saber estar, de saber optar?

As maiores dificuldades que vivemos nas escolas giram à volta da impaciência generalizada, dos comportamentos que denotam ansiedade, falta do olhar e da escuta atenta, dos comportamentos ajustados, da sã convivência, da promoção da autoconfiança, do respeito mútuo. Escondidos sob uma máscara, é possível reter emoções com maior facilidade, mais difícil encontrar sinais de mau estar, de inquietude, de fragilidade emocional, social ou outra. Não recuperaremos qualquer aluno se apenas quisermos medir o ponto até onde ele adquiriu as aprendizagens essenciais do currículo para, a partir desse ponto, acrescentarmos. Antes, muito antes, na escola, temos de nos inteirar sobre o seu estado emocional e fazer uma intervenção especializada, nos casos em que se justifique, com seriedade, com dignidade e respeito pela pessoa, pelo seu desenvolvimento harmonioso.

O que sentirá um aluno a quem disponibilizamos apoios e mais apoios para recuperar aprendizagens, mesmo que enquadrados em projetos inovadores, motiva- dores, validados e acompanhados por quem sabe o que faz, se o que ele precisa (mas ninguém lhe dá) é de ser ouvido, ajudado na superação de traumas, ausências, falhas de uma retaguarda familiar fragilizada, ela também pelos enormes obstáculos que os efeitos da pandemia concentraram em muitas famílias?
As escolas estão no caminho. Os professores são educadores, psicólogos, amigos, ouvintes… Têm de viver voltados exclusivamente para o outro, para chegar a cada um, primeiro equilibrando, estando atento a qualquer problema que obstaculize as aprendizagens e depois então promover a sua recuperação.

Mas todos sabemos que há limites, humana, emocional, temporalmente. É urgente a criação de equipas multidisciplinares, capazes de realizar um rastreio geral, acompanhado de estratégias de ação, que reponham os níveis de confiança, de equilíbrio, estabilidade,… É urgente reforçar as equipas de assistentes operacionais, essenciais no complemento da ação educativa, enquanto orientadores, gestores de comportamento em espaço escolar, conjuntamente com os professores. Com tal reforço, o trabalho dos professores seria focado no desenvolvimento do aluno e das suas aprendizagens, dos processos educativos adequados a cada indivíduo. Assim, o professor poderia ensinar. Assim se poderia deixar de falar em desgaste profissional. O professor sentir-se-ia apoiado na sua missão, na sua ação. E os resultados seriam rapidamente confirmados.
O professor, o educador, seria um profissional dedicado à sua missão e não missionário a tempo inteiro, sem disponibilidade para gerir os seus próprios destinos.

A carreira docente está envelhecida, é sabido. Não é uma carreira desejada, recomendada. E o futuro não parece transformador. A urgência de novos professores exige tornar a carreira docente mais atrativa. Exige políticas de fundo com melhores remunerações e melhores condições materiais para o exercício, mesmo que tal implique, necessariamente, maior exigência para se aceder à profissão. Desta forma, seria devolvido o respeito, a dignidade à função docente. Estas são condições essenciais para uma verdadeira escola, onde todos cresçam e desenvolvam equilibradamente as suas capacidades, adquirindo competências para uma vida ativa, para uma sociedade justa.
Uma nova rota para a educação…

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