Correio do Minho

Braga,

- +

Construtores de Paz

A compra de bens de consumo: a resolução do contrato

Escreve quem sabe

2015-01-09 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

“O perigo das democracias está no homem que não quer pensar por si nem aprender a pensar bem, como aprende a andar direito.”
Baden-Powell, em A Caminho do Triunfo

Os trágicos acontecimentos ocorridos, esta semana, em Paris, no Charlie Hebdo, devem ter marcado os nossos dias com uma tristeza profunda, pois nada nem ninguém justifica a ação criminal realizada.
Em simples declaração de interesses, devo advertir o leitor que não sou um admirador do tipo de caricaturas produzidas neste periódico, mas não posso deixar de, num jornal de livre expressão, manifestar a minha indignação pois não quero que a preocupação de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”

Por estar perante um crime violento, presumidamente, praticado por jovens adultos, leva-me a questionar sobre o papel do educador nos últimos 30 anos, qualquer que seja o educador: na escola, na igreja, na mesquita, na sinagoga, nos movimentos educativos, na família, etc. Hoje, penso que todos temos claro que a educação não pode acontecer sem que o ambiente onde se vive esteja embebido pelos valores universais e pairando sobre todos eles o Amor. Luther King lembra-nos que: “O amor é a única força capaz de transformar um inimigo em amigo.”

Assim, os educadores têm de ser verdadeiros construtores de Paz. Por isso, esta tem que ser o elemento enquadrador das aprendizagens e, de um modo especial, da sua aplicação às vivências do quotidiano. Dando forma ao pensamento de Madre Teresa de Calcutá: “Tudo o que fizeres fazei com a mor e por amor aos outros”.
Só neste enquadramento se poderá esperar que a ação educativa erradique com os radicalismos, quaisquer que sejam as suas origens ou motivações.

No mês dedicado à Paz e à família, é bom relembrar as palavras de Bento XVI, proferidas no 46º dia Mundial da Paz, 1 de janeiro de 2013: “o homem é feito para a paz que é um dom de Deus (...) a paz é, simultaneamente, dom messiânico e obra humana.... é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação. Sim, a paz é o bem por excelência que deve ser invocado como um dom de Deus e, ao mesmo tempo, que deve ser construído com todo o esforço”.

Também o papa Francisco, no passado dia 25 de novembro, interpelando os eurodeputados: “Queridos Eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente. Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé.

A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem; a Europa que caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade!”, Francisco interpela cada um de nós. Pois, todos nós somos chamados “a uma grande missão, ainda que possa parecer não lucrativa: cuidar da fragilidade dos povos e das pessoas”. Nenhum de nós pode “tolerar que o mar Mediterrâneo [ou qualquer outro local ou espaço] se torne um grande cemitério”.

A propósito de tão trágico acontecimento e evocando o encerramento do 16º Encontro pela Paz 2014/2015, na Póvoa de Varzim, com a fabulosa narrativa de como fazer a paz, materializada pela exposição: Mandela - Longa Caminhada até à Liberdade, que poderia mostrar aos carrascos de Paris, como são belos os caminhos que conduzem à Paz, queria desejar, a todos os leitores e profissionais do Correio do Minho, votos de um Novo Ano marcado pelo suave perfume serem obreiros da Paz, “porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

23 Fevereiro 2020

O problema do vira-lata!

23 Fevereiro 2020

Mentira social e a mitomania

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.