Correio do Minho

Braga, terça-feira

'Continua a aguentar!', por André Sousa Araújo

O conceito de Natal

Conta o Leitor

2012-07-06 às 06h00

Escritor

Como posso aguentar!
Como posso acreditar!
Eu sei que não sou perfeito, mas imperfeito deveras sou. Sou como o som que atormenta a alma do prisioneiro que foge deste mundo cruel. Ele é que transporta a felicidade pois, pode ser um prisioneiro, mas devora a prisão e vai em busca da liberdade!
Sei que nem sempre foi alguém e que agora sou ninguém. Pode ser um verbo cruel, mas inexistente é o melhor para caracterizar esta alma que se perde nas mágoas da noite e nas lágrimas que o céu deixa cair!

Já não sei que escrever, porque não aguento... Quero fugir e vaguear novas ruas e novos vales!
Como posso aguentar!
Como posso olhar!
Por vezes o olhar é mortífero e mata tudo e todos, que ninguém como eu, a sua volta resiste! Por vezes falo e todos se vão embora, ou então simplesmente não me ligam, porque não passo de alguém que só ouve e nunca fala! Algumas vezes ou muitas vezes estas são palavras que me tornam alguém que pela sua força e vivacidade, tentam ser aquilo que eu nunca pude ser! Olho a volta e o olhar de uma pessoa penetra-me no coração! É simplesmente um olhar perdido, de quem nunca quis entrar na minha vida.

Como posso aguentar!
Sem saber onde procurar!
Sou procurado, pela minha alma que derramada tentar penetrar do corpo de alguém! Mas sei que sou abandonado pela falta de belezas os olhos de uma humanidade que nem sabe olhar, mas sim criticar! Estas e tais palavras poderiam fazer sentido, se a procura de algo fosse simplesmente fácil! Contudo se fosse fácil, a vida não era uma vida, mas sim um mero passatempo.
Como posso aguentar!
Se não sei viver sem apagar aquilo que me mata!

Procurei algo que me foi negado, por vezes que nem os dedos das minhas feias mãos chegam para contar! Sou alguém que nem sabe o que quer deste jogo, que começa como um pequeno ser, mas que acaba como um velho e curvado ser! Estou triste! Os olhos desta alma que pela força da vontade está a escrever, e com o frio tenta vencer aquilo que deveras está a mostrar.
Como posso aguentar!
Sem a alma para me amar!

Sei que estas frases nada fazem sentido, mas cada dedo que eu tenho já fez um sentido. Se queres amar tens que ser amado, senão acabas por olhar para o passado e verás que não foste nem serás alguém!
O que posso fazer! Nada! Os meus passos dizem e descrevem que a única coisa que eu posso fazer é continuar a aguentar! E sem este sentimento que tento transmitir a alguém sou uma pedra no meio deste caminho, porque simplesmente tenho que continuar a aguentar...
Como posso amar?
Se não existe ninguém para amar?

Eu sou a torre onde o sino deixou de habitar, sou a alma, em que o corpo desapareceu, e a mais que a força sou a virtude do mar a alcançar a terra que outrora fora de mim e mais ninguém. As minhas formas já não existem em vez disso existe mais palavras que habitam em outros lugares que não em mim.
Como posso aguentar, alma?

Não é um nome, nem muito menos uma pessoa, não é a forma da virtude, nem o alcance da saudade, é um simples alguém em que o Adeus, fez renascer, e porquê? Porque coração é mais que um coração é a forma que habita dentro de mim, de maneira mais sincera a permanecer no meu amor, que o meu amor nele.
Deixei de aguentar
Porque o amor começa a acabar!

Agora já não existe amor, simplesmente papeis que o definem, com mais definições que a própria definição de amar. Amar não é só sentir ou fazer sentir, é mais que um objecto, é mais que uma palavra ou um sinonimo, é tudo isto e mais alguma coisa que eternamente habitará o nosso coração, são os motivos para que o amor termine assim de uma forma pouco virtuosa.
Por fim, como tentarei aguentar,
Se lá ao longe não existe mais que a forma de fugir a verdadeira verdade?

No fundo comecei e no fundo terminei, no inicio eu era mais que uma palavra, era o texto que é teu, mas que tu, alma, ignoras-te de força pouco verdadeira, agora no fim sou o quê? Deveras sou algo que sinto, mas sim que vejo, deveras sou alguém que escreve, mas sim que manda escrever, porque para continuar a aguentar é necessário mais que a forma da virtude, é necessário sentir-se amado, mas nunca sentir com o coração, sentir somente com as mais puras palavras… E porque com palavras e não com sentimentos, porque eu sou um caminho aquém a virtude negou por negligencia da mais pura das verdades, eu sou mais que tu, sou eu, em forma de tu, não serei um verbo, nem um simples prenome, sou eu, alguém que alberga a forma da fortuna em palavras e o outro, fortuna que ao homem compete, está no fim dos meus recantos, que no corpo débil da madrugada alguém tenta acariciar, por caricias mais belas que a verdadeira caricia mãe.

Contudo já não existe homem só um palavra que alguém dita como forma de ditado que nas carteiras daquele escola se escreve, e por mais definições que lhe possam atribuir, a única válida é a de que o homem, é mais que uma folha que anda por meio de pés, são pequenas notas que os seus bolsos tentam transportar na vanguarda da verdade, que naquela noite alguém, mais forte que o homem, tentou levar a cabo de uma maneira tão efémera que na sua gloria, alguém acabou por arrancar a pagina e queima-la por meio de mais verdades que a própria verdade.
E agora alma continua a aguentar?

Ou ficas no beco a procura da mais reles da verdade?
Creio, por meio do meu olhar que já não existe palavras puras que o coração consegue transportar, penso que já não existem definições que o coração guarda e termino dizendo que não há lugar num mundo em que somente se reflecte com definições pouco dignas de algo, que pela forma de virtude, que nem sei qual será a sua forma, consegue manter dentro de si…
E finalmente será que a alma desistirá?

Ou perderá para manter a glória de quem lutou, mas perdeu a sua forma e por isso desapareceu?
Dentro de mim, este que escreve, doí-me as minhas belas peças que o meu corpo tem, porque dentro de mim já não há mais forma que a verdadeira forma, um ser que a vida produziu, para produzir sorrisos verdadeiros que a virtude lançou, alguém em que a sua forma foi manipulada para detrimento de uma outra forma que reside dentro de si, mais forte que a que escreve?

De que meio eu, este que escreve por intermédio de um mero interlocutor, posso reverter este sentido de um eventual porteiro do relógio? Irei continuar a aguentar? Ou desistir? Fico sentado a ver as árvores do céu passarem e ver rejubilar as aves terrestres, que por meio de um digna verdade vivem para se amar, e não somente para aguentarem…
Assim falará alguém em que o amor persiste na forma de aguentar…

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