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Ideias

2021-04-20 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

O concerto inaugural da sétima edição do festival “Convergências”, que ontem se realizou no Fórum Braga, numa iniciativa do grupo bracarense “Canto D’Aqui”, em parceria com o Centro de Estudos Galegos da Universidade do Minho, serviu igualmente de reabertura ao programa da Capital da Cultura do Eixo Atlântico.
Na calendarização do “Convergências” estão inscritas, como nas anteriores edições, distintas actividades culturais, com particular enfoque nas áreas da música e do teatro, mas contemplando também momentos de tertúlia e poesia, num programa de grande qualidade que se prolonga até 9 de Maio e envolve nomes sonantes, como os galegos Oscar Ibáñez e Uxia, ou os portugueses Cristina Branco, Manuel Freire e Francisco Fanhais, entre outros.
Jaime Torres, o líder do “Canto D’Aqui” e alma mater deste festival, já habituou minhotos e galegos a um nível bastante elevado dos eventos que constituem a programação cultural desta realização anual. Desse ponto de vista, esta sétima edição não será excepção, bem pelo contrário. Aliás, o organizador prometeu para este ano momentos “de grande interesse cultural e musical, incluindo sempre a temática principal de evocar os nomes de José Afonso e Rosalía de Castro”.
Não será despiciendo lembrar, a propósito, que o “Canto D’Aqui” costuma celebrar o 25 de Abril com um concerto no Teatro Circo, espectáculo a que a cidade tem correspondido ano após ano, esgotando a lotação da lindíssima sala bracarense. Este ano, a pandemia obrigou ao adiamento do “Convergências” e assim, por feliz coincidência, o concerto que assinala a data libertadora ficou integrado no festival.
Este contributo do grupo musical bracarense para o movimento cultural da cidade vai possibilitar a audição das vozes de Manuel Freire e Francisco Fanhais, num concerto que constitui um tributo ao inesquecível Zeca Afonso, e que também contará com a sonoridade e o cariz tradicional dos instrumentos e das vozes do grupo Canto D’Aqui. Será, porventura, o momento mais marcante de um festival que já assentou arraiais como um dos principais eventos de estreitamento dos laços culturais entre o Minho e a Galiza. Mas, naturalmente, não será o único.
Embora se trate de um evento recente - este ano será a terceira edição - a Noite de Fado Convergente já tem um público fidelizado, o que lhe permitiu ganhar as raízes que lhe irão garantir a sustentação necessária para continuar a manter-se no programa do “Convergências”. A cantora galega Uxía Senlle, uma das maiores embaixadoras da música e da poesia galegas, e que vive desde há muitos anos a língua portuguesa como dela, convida para a noite de sexta-feira a fadista Cristina Branco para uma sessão que certamente contribuirá para estreitar ainda mais os laços entre os povos das duas margens do Minho.
Quem beneficiou do prestígio do “Convergências” foi o Município de Braga, ao aproveitar a sua realização, nesta altura, para o integrar no programa da Capital da Cultura do Eixo Atlântico, que este ano tem por palco a capital do Minho. Esta associação de esforços pode ser bastante vantajosa para as duas iniciativas, que usufruem de todo um conjunto de sinergias, e, nessa medida, será um caminho a percorrer no futuro.
Sabe-se, aliás, que para além das iniciativas inéditas que o Eixo Atlântico tenciona promover, como serão os festivais de cultura urbana, de Jazz, de música contemporânea de raiz ou o festival informal de ópera, o programa integrará também alguns eventos que se realizam anualmente neste vasto território.
O Município considera que “o acolhimento da Capital da Cultura do Eixo Atlântico é estratégico para o envolvimento da comunidade numa crescente dinâmica de criação e fruição cultural da Cidade e da região por parte dos cidadãos”. Mas é conveniente que também reconheça que o sucesso da iniciativa depende em grande medida do grau de empenhamento dos diferentes agentes culturais.
Esta Capital da Cultura de âmbito regional acaba, assim, por se transformar num caso paradigmático daquilo que deve ser a acção dos gestores culturais do município. Ou seja, ficam perfeitamente claras as vantagens do envolvimento tão alargado quanto possível dos agentes culturais e das populações no sentido de conseguir o máximo de… convergências.
Os próprios responsáveis municipais reconhecem, implicitamente, as vantagens de aproveitar sinergias e de auscultar aqueles que, no âmbito da intervenção cultural, mais directamente estão ligados às populações fruidoras. E a oportunidade para dar continuidade a esse tipo de actuação, reconhecidamente mais democrática e mais eficiente, sob o ponto de vista dos resultados, é constante, devendo ser a norma do município.
Aliás, quem sonha com altos voos, como a Capital Europeia da Cultura em 2027, deve ter a sensatez e a humildade de reconhecer que uma tarefa de tal dimensão só obterá êxito se de facto lograr a unidade de todos na mesma congregação de esforços.
Creio que só dessa forma Braga poderá ansiar, muito legitimamente, ser escolhida como a próxima cidade portuguesa a ter o direito de ostentar esse prestigiado título.

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