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Cooperação da Euro-Região Galiza-Norte de Portugal: adaptação à era pós-covid19

“ O Encontro”

Cooperação da Euro-Região Galiza-Norte de Portugal: adaptação à era pós-covid19

Ideias

2021-06-19 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

A Euro-região Galiza/Norte de Portugal é considerado como um exemplo paradigmático de cooperação entre regiões transfronteiriças europeias, em particular, nos domínios da economia, sociedade, cultura, ciência, trabalho e ambiente. Tem sido, aliás, uma constante ao longo do tempo a constituição de grupos de trabalho empenhados na elaboração e implementação de projetos de interesse comum nas referidas áreas. Está-se perante uma Euro-região com um mercado não desprezível de mais de seis milhões de pessoas, com um capital humano de alto potencial, com universidades de mérito internacional e fonte de conhecimento ao serviço da economia e da cooperação transfronteiriça. Por sua vez, dada as fortes complementaridades entre a Galiza e o Norte de Portugal verificou-se um intenso trabalho conjunto, mas onde cada uma das regiões transfronteiriças manteve a sua identidade e autonomia próprias, cientes que se tornaram mais competitivas se agirem em parceria num mundo cada vez mais globalizado. Assim, tem-se constituído vários organismos de cooperação transfronteiriça, por exemplo, o “Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Galiza/Norte de Portugal” (2008), com recurso a “fundos de cooperação transfronteiriça” da União Europeia (UE), nomeadamente em áreas da infra-estrutura, investigação, desenvolvimento e inovação.
No caso particular da área económica o desenvolvimento registado na Euro-região Galiza/Norte de Portugal tem sido intensa, mas mesmo assim continuando a ter um elevado potencial de desenvolvimento na era pós-Covid19. No plano económico há duas principais características das relações da Euro-região: (a) dinâmica das exportações portuguesas para a Galiza; (b) forte atração de investimento para os capitais galegos no Norte de Portugal. É, desta forma, que se tem assistido a numerosas empresas galegas (em geral, sob a forma de filiais) a estabelecerem-se no Norte de Portugal, no fundamental nos setores automóvel, construção naval, refrigeração, processamento de pesca, logística, granito, mecânica e metalurgia. O que pode explicar essa apetência dos capitais galegos para se fixarem no Norte de Portugal? Até aqui, o mais baixo custo do trabalho, a estabilidade laboral, a qualidade dos recursos humanos, a produtividade e o regime fiscal mais leve sobre as empresas.
Ora, na era pós-Covid19 torna-se necessário dar um novo impulso à cooperação transfronteiriça, almejando concretizar um desenvolvimento sustentável. Para isso, os poderes políticos nacionais, regionais e autonómicos deverão estimular o investimento produtivo e ainda mais cooperação transfronteiriça, a saber: (a) em atividades económicas tradicionais tornando-as “nichos” de competitividade externa, exemplos, têxtil, vestuário, moda, automóvel, logística, agro-alimentar e turismo; (b) na qualificação dos recursos humanos, no combate ao desemprego, na modernização industrial, na fixação das populações, na promoção do envelhecimento ativo e saudável e no património cultural e da natureza; (c) no desenvolvimento ferroviário de pessoas e mercadorias ainda aquém do desejável, mormente quanto a ligação ferroviária Vigo-Porto; (d) no avanço das Euro-cidades que se encontram subaproveitadas por centralizar a sua atenção quase por inteiro no turismo. É, desta forma, necessário dinamizar, diversificando as áreas de cooperação científica, cultural, universitária e linguística das Euro-cidades do Eixo Atlântico, como, Verin-Chaves, Valença-Tui e Cerveira-Tominho.
Em suma, é indispensável que a Euro-região adapte a sua “praxis” à era pós-Covid19 envolvendo-se numa reformulação da política económica, social e urbana (Euro-cidades), mormente quanto a sustentabilidade, inovação, política social e desenvolvimento económico. Citando o actual secretário-geral da organização do Eixo Atlântico, Xoán Mao, temos: “Se há algo de que ninguém duvida, é que nada será igual depois da pandemia. A digitalização, os novos hábitos de consumo cultural, o predomínio do comércio local (em contraste com o papel do comércio eletrónico), a importância da investigação e da saúde ou o reforço dos serviços públicos são algumas das lições que vão mudar o nosso horizonte imediato”.
Concluindo, a Euro-região Galiza/Norte de Portugal percebida pela sua dinâmica até aqui, deve na era pós-Covid19 empenhar-se em dar um novo e vigoroso impulso na cooperação transfronteiriça, adaptando-a a nova realidade, desde logo:
(1) Relevância para as administrações se redefinirem e impulsionarem a digitalização, a mobilidade urbana, a gestão de resíduos, a eficiência energética, entre outras prioridades;
(2) Necessidade de transformar um modelo baseado em baixos custos salariais num novo modelo redistributivo e dando maior ênfase a excelência e competitividade;
(3) Garantir a sustentabilidade, nomeadamente para a mobilidade e as indústrias não poluentes (transição energética).

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