Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Coroa de conchas

A saúde dos que cuidam da nossa saúde

Conta o Leitor

2020-08-24 às 06h00

Escritor Escritor

Maria Natália Silva

Apraia do Sargaço verde vai ser o lugar desta nossa história. Vai acontecer numa noite de luar, no jardim da pequena Leonor, na sua casa.
A única personagem humana a participar, é a Leonor. Leonor, é ainda uma criança, mas incentivada pela mãe, gosta muito de ler e tem muito interesse por todas as histórias. Pelo interesse revelado pelas histórias e gostar de magia fora convidada para um acontecimento extraordinário.
Uma carta especial tinha chegado à sua caixa de correio. Um envelope grande, de cor vermelha. Lá dentro encontra-se um postal azul, com um fundo idêntico à areia da praia, pequenas conchas desenhadas, uma bandeira grande e verde, onde se pode ler:
- “Está oficialmente convidada para o Serão em noite de luar, no jardim das margaridas, na Casa dos Três Moinhos. Deverá levar uma coroa enfeitada com conchas. Não falte!”
Estava devidamente assinado, não com nomes, mas com muitos símbolos: pegadas de gaivota, montinhos de areia, raminhos de flores secas e de cactos, bocadinhos secos de conchas, desenhos de pe- quenos peixes... O seu espanto era enorme! De tal modo que não conseguia esconder o seu contentamento, pois este era um acontecimento raríssimo. Sabia que no mundo da fantasia e magia acontecem coisas maravilhosas que nos fazem lembrar, que no mundo real também há muita magia e entusiasmo. De repente exclamou:
- Casa dos Três Moinhos? Mas era a sua casa. Não era possível!
Leonor mostra o convite à mãe, ao que esta responde:
- Chegou finalmente o teu convite. Estou muito contente por ti, minha filha.
Depois vais contar-me todas as aventuras dessa noite de luar. A nossa casa estará à disposição do encanto e beleza dessa noite.
Esta era uma noite especial! Era a noite mágica onde era dado que cada pequeno ser ou não, flor, concha, areia, peixe, gaivota... tivesse vida e pudesse exprimir-se. A razão de Leonor poder estar presente, residia no facto de que havia muita magia no ar e era-lhe permitido observar e participar em tudo.
Leonor tinha sido convidada através de um postal. Os restantes participantes também receberam um convite.
Esta noite encantada tinha sido combinada através de mensagem transmitida pela gaivota cantante. Através do seu canto convidava todos a participar. Ninguém podia ficar indiferente. Devia participar.
O dia tão esperado tinha chegado e a mãe de Leonor já chamava por ela ao longe; aprontou-se a vestir-se e a colocar a sua coroa de pequenas conchas que tinha estado a preparar com a sua mãe.
Informou-a que estaria no jardim. Este encontrava-se todo iluminado com luzes em forma de pirilampo, luzes que piscam, bancos de cetim verde rodeados de muitas margaridas brancas, uma mesa comprida pintada de amarelo, cheia de fruta, doces de limão e amêndoa, sumo de três qualidades(morango, framboesa e mirtilo), gelados em tacinhas de noz e chantili...
De repente, começaram a entrar as diferentes personagens: a primeira a chegar foi a senhora gaivota, de bico amarelo; vestida de branco e preto; a seguir foi a vez da concha, toda branca e redonda; depois chegou a flor seca e o cacto que normalmente são vizinhos no seu habitat; depois chegaram os peixes, de diferentes tamanhos e cores que tentavam caminhar de pé; depois, por último, foi a areia da praia, que gentilmente era transportada num baldinho de praia que as crianças tinham deixado…
A noite de luar estava instalada e a sua beleza era infinita. Todos a admiravam!
A gaivota foi falar com Leonor e contou-lhe que era muito admirada pelas pessoas grandes mas também pelas mais pequenas; disse também que o melhor sítio para uma gaivota é o mar e a praia; é lá que se sentem bem.
A areia da praia contou a Leonor que conhecia os segredos de todos os homens, pois eles estendiam as suas toalhas e contavam uns aos outros histórias de encantar.
Os peixes caminharam alegremente para si e sorriram:
- Leonor, disse o peixe maior:
- Sabes, nós conseguimos alimentar os homens, mas o que nos dá maior felicidade é mergulharmos no mar azul e falarmos com todos os nossos amigos e dar- mos as mãos dançando sempre em rodopio.
A pequena concha saltou para o colo de Leonor e esta abraçou-a. Disse:
- Querida concha, além de te pudermos tocar ao caminhar na praia, tu fazes as alegrias de tanta gente, que te colecciona, ou te quer para enfeitar a sua casa. Tu és maravilhosa!
A flor seca, natural e o cacto eram inseparáveis, gostavam de estar juntos. Havia magia entre eles. Leonor disse-lhes:
- Admiro muito todas as flores, todas as suas variedades. Elas embelezam o nosso ambiente e vocês não são excepção. Palmas para os dois e fiquem sempre juntos.
Todos bateram palmas à flor seca e ao cacto. Havia muita emoção no ar. Leonor agradeceu por terem escolhido a sua casa para tão grande Festa. Havia música no ar e Leonor convidava a juntarem-se à mesa para saborearem o que mais apreciavam.
A hora ia avançada. O sono visitava cada um dos participantes. Era preciso ir descansar. Leonor agradece mais uma vez o convite e a participação de todos. A noite fora maravilhosa e ela conhecia agora mais a magia de todas estas pequenas criaturas. A natureza tem muitas histórias para contar, muitos encantos para se descobrir. A magia da noite de luar permitiu a Leonor compreender que a magia e o sonho andam de mão dada e que no nosso mundo real também há momentos excepcionais e que nós também podemos sonhar e concretizar os nossos sonhos.
Despediram-se uns dos outros e brevemente seria outro dia. Leonor, no seu quarto sonhava com a magia da noite de luar e prometera a si própria que quando crescesse gostaria de escrever histórias de encantar.

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