Correio do Minho

Braga, terça-feira

Crescer com as cores do arco-íris

O conceito de Natal

Conta o Leitor

2015-07-08 às 06h00

Escritor

Claúdia Catarina Graça

Numa cidade com mais de dois mil anos de história, existia numa pequena, suave e acidentada colina, um colégio, que mais parecia ser obra de um Deus, que com toda a certeza adorava o deleite de observar o arco-íris.
Era imprescindível conhecer e dominar as cores, e com a passagem do tempo, objetiva e irreversível, caminhar com a mesma exactidão com que vemos um comboio movimentar-se no seu trilho.

Nas suas carruagens embarcaram um grupo de meninos, embalados desde cedo por um hino, metricamente elaborado, que iria ser até ao fim uma espécie de hidónia cristã salutar.
Juntos caminhariam lado a lado, passar cor a cor, as sete, que este arco-íris possuía, e chegar ao pote de ouro. Queriam todos dar o primeiro passo, mas iniciar a cor amarela não foi uma tarefa muito fácil.

A cor de Van Gogh, representativa de luz, alegria e optimismo, revelou-se desconcertante para alguns. Apetrecharam-se de bonequinhos de peluche, objetos delicados e significativos e entre choros e despedidas, lá conseguiram pequeninos e indefesos atingir a cor vermelha. Com outro ânimo começaram esta nova travessia. Já cantarolavam belas cappellas melódicas, que permitiram uma rápida chegada ao azul.

Ora aqui, e porque a subida já se acentuava, galgaram as primeiras horas confiantes, até que de repente, vinda não se sabe bem de onde, como gotas pesadas que caem do céu, uma abundante chuva de letras atrapalhou esta viagem. Algumas caiam com leveza, outras eram frias pesadas e teimavam em não secar facilmente.

Persistentes, ritmados, soletrando letra a letra, na subida imperou a persistência. Traçaram um método e quando atingiram o castanho, já tinham deixado para trás as carruagens mais levezinhas, carregadas com os brinquedos e peluches inocentes. Com um carinho maternal, mantiveram num compartimento especial, uma cartilha que lhes poderia dar pistas para as futuras cores e travessia das mesmas. Atingiram o meio da viagem.

Nas cores, castanho, verde e turquesa viveram aventuras como as de Homero na sua Odisseia. Nunca mais se iriam esquecer! A intemporalidade e a esperança que depositaram nestas aventuras, iria sem dúvida, marcar as suas vidas.
Alguns abandonaram a viagem, outros embarcaram nas últimas carruagens, mas todos eles sabiam que no fim da turquesa iriam encontrar a cor que lhes iria trazer mais emoções - o azul.

Provenientes do persa “lazward” depararam - se com a cor do espírito e do pensamento, do céu, da água e do infinito. Foi imperioso tornarem - se mais responsáveis e certos de que apesar de avistarem a linha do infinito, com toda a sua complexidade controversa típica do conceito, aperceberam-se que o fim estava perto e já não era uma miragem. Seria uma iridescência? Mesmo ofuscados por este fenómeno que não lhes deixava prever o fim da linha concentraram - se para chegar à meta.

Deparam - se com vários tipos de seres vivos, com hábitos inóspitos, travaram algumas batalhas e passaram por três dinastias. Sempre que necessário orientavam - se pelos astros e calculavam distâncias. Fizeram estimativas, projectaram, imaginaram, erraram e acertaram…..

Até que um dia, num fim de tarde abraseado por uma brisa, também ela calorosa termina esta viagem. O comboio parou. Surpreendentemente, na última estação, outros se juntaram para festejar a descoberta do “aurum”. Oriundos do nada, os pais dos meninos, estavam todos no fim do arco-íris. Diz a lenda que apareceram do nada e que encetavam diferentes personagens, de várias histórias de encantar.

Juntos observavam o pote de longe. Brilhava… Era enorme, gigante mesmo, cabiam todos lá dentro se quisessem. Tinha um guardião. Conhecido como o sapateiro do povo das fadas, guardava este pote um pequenino duende. Vestia uma roupa verde, um estranho chapéu de três pontas e calçava uns sapatos com umas enormes fivelas. Sabe-se que não são muito apreciadores de humanos e que até costumam ter medo deles.

Talvez por os meninos serem eles também pequenitos, embora uns gigantes para ele, este deixou-os aproximar e permitiu -lhes tocar nas cores que brilhavam e saiam do pote. Um a um tocou na cor preferida e todos tiveram direito a levar um bocadinho da que mais gostavam. Uns levaram liberdade, outros, esperança e houve mesmo quem preferisse levar energia e paixão. Algumas cores faziam chorar, outras faziam rir!

Assim, e de ali em diante, para onde quer que eles fossem bastava pensarem na cor que tinham trazido daquele pote mágico, que fortes lembranças se avivariam como se de um sonho se tratasse! Jamais esquecerão esta viagem!

Dedicado à turma de Finalistas
do 4º ano 2014/2015

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