Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Crescer como pessoas competentes para a sociedade

As Maias ou os Maios - em defesa da biodiversidade

Voz às Escolas

2018-12-27 às 06h00

Redacção

Ana Maria Silva

No passado dia 6 de julho de 2018, foram publicados, em Diário da República, dois diplomas que introduziam mudanças significativas ao nível das práticas didático-pedagógicas e das práticas organizacionais nas escolas do nosso país: o DL n.º 54 e o DL n.º 55.
Uma leitura atenta dos diplomas permitia percecionar uma nova orientação para a educação em termos de inclusão e de cidadania ativa. Estava lançado o desafio. As escolas teriam de se organizar e de ser capazes de criar condições para que os alunos pudessem desenvolver aprendizagens com impacto tridimensional na atitude cívica individual, no relacionamento interpessoal e no relacionamento social e intercultural.
A escola, enquanto instituição social e democrática, tem a responsabilidade de formar cidadãos capazes de responder às necessidades dos diferentes sectores da sociedade e, desta forma, ajudar a construir o futuro do país. A sociedade, por sua vez, precisa de jovens com pensamento crítico capazes de responder às necessidades de um mundo globalizado em permanente mudança.
Estamos a falar de educação e educar é isso mesmo: ajudar os jovens a crescer em direção à idade adulta, mas de uma forma em que cada qual possa desenvolver o seu potencial máximo em situações de igualdade. O quadro legislativo em vigor, em termos de educação, permite a cada escola criar as condições para que as aprendizagens aí realizadas tenham significado na vida dos seus alunos e, sobretudo, que eles possam desenvolver essas capacidades críticas e reflexivas tão necessárias na sociedade atual.
Rebuscando nas minhas memórias, recordei-me de um projeto em que a Escola Secundária Martins Sarmento se envolveu no ano de 2003. O projeto tinha o nome de City Dona e foi lançado pela Câmara Municipal de Guimarães. Ao aderir a esse projeto, a nossa escola tinha um objetivo: ajudar os alunos de então a crescer com olhos atentos às realidades que impediam (e continuam a impedir) a Humanidade de atingir o bem-estar desejado, a paz e a segurança necessárias ao desenvolvimento pleno de cada ser humano, fosse ele homem ou mulher. Estávamos a falar de igualdade, ou melhor, de justiça entre géneros.
Foram muitos os jovens que, ao longo do ano, se envolveram em atividades e a semente ficou: continuar a trabalhar para construir um mundo mais fraterno, onde o direito à justiça entre os sexos pudesse ser uma realidade. Volvidos 15 anos, verificamos que um dos domínios obrigatórios a ser trabalhado em todos os níveis e ciclos de escolaridade, no âmbito da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania presente nos novos diplomas, é o da igualdade de género.
O longo caminho percorrido na luta pela justiça entre géneros não garante, ainda, que todos tenhamos uma voz igual, não obstante sermos todos indispensáveis quando falamos da Humanidade. Luís Aragon dizia que “a mulher é o futuro do homem”, mas isso só será possível quando os valores do respeito pela diferença e pela solidariedade, do certo e do errado, prevalecerem. Só quando os valores do SER vencerem os valores do TER (pelos quais hoje em dia tudo se pode e tudo se faz) poderemos viver numa Aldeia Global onde o direito à diferença é respeitado e onde o bem comum está à frente de tudo.
À Escola cabe a tarefa de garantir que a educação para a cidadania e para o desenvolvimento sustentável esteja também presente na sua ação pedagógica. Queremos formar pessoas competentes para a sociedade e foi a partir destes pressupostos que a Escola Secundária Martins Sarmento (ESMS) definiu a sua Estratégia de Educação para a Cidadania na Escola. Queremos que os nossos alunos desenvolvam aprendizagens profundas e amplas, com impacto no relacionamento social e intercultural para que, quando terminem a escolaridade obrigatória, possam ser pessoas capazes de realizar ações que tenham consequências positivas para a comunidade em que estiverem inseridos.
Queremos que os alunos da ESMS façam a diferença no futuro da nossa cidade e do nosso país.

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