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Criatividade e empreendedorismo

COVID… e agora?

Criatividade e empreendedorismo

Escreve quem sabe

2020-03-02 às 06h00

Álvaro Moreira da Silva Álvaro Moreira da Silva

Ando a ler a «Gramática da criação», do recentemente falecido George Steiner. Em certo momento, leio que «os algoritmos da informática podem imaginar cenários de um universo de tempo reversível», e fico a pensar no verbo «imaginar». Imaginar, criar, são ações humanas das mais relevantes, mas não exclusivas. O computador pode, hoje, emulá-las quase totalmente. Fixo-me no fator «criatividade» e relaciono-o com o fator «empreendedorismo», aplicados no âmbito do retalho. De que forma se pode potenciar, ou se potencia, a criatividade neste grande meio, tendo em vista a satisfação do consumidor?
Discute-se, neste momento, a importância da tecnologia 5G, e de que forma a criatividade se pode exprimir na condução automóvel autónoma, na gestão do serviço médico, incluindo consultas e receituário, na gestão do caos automóvel citadino, ou, ainda, na complexa organização das grandes superfícies comerciais. Com o avanço extraordinário da inteligência artificial e das novas tecnologias, acha-se aberto um largo caminho para a criatividade e, concomitantemente, para o empreendedorismo.

Como se pode criar? No âmbito tecnológico, melhor será falar de «inventar», e de «inventabilidade»? «Inventar» não supõe a presença teológica, religiosa, e releva os aspetos técnicos em detrimento de aspetos mais espirituais. Inventam-se, sob a capa da inteligência artificial, drones e sistemas de blockchain, startups produtivas, soluções múltiplas em 5G, complexos reais, virtuais ou aumentados, produtos em fase expansiva, mas não muito acelerada, dada a suspeição dos mercados relativamente a produtos de retorno não imediato. Sendo o motor evidente do empreendedorismo, a «inventividade» baseia todas as decisões. Sem novas ideias e novos projetos tecnológicos, a economia tende a regredir ou a estagnar.

De acordo com dados recentes dos sistemas económicos mundiais, logística, automatização de lojas, meios automáticos de pagamento e big data estão na vanguarda do interesse empreendedor. A perceção do resultado imediato motiva empresas e atores individuais, em geral mais preocupados com o presente visível do que com o futuro incerto. São poucos os que apostam numa visão a longo prazo. Se a aposta vence, o futuro será brilhante.
Na sua base significativa mais evidente, «empreendedor» é aquele que consegue ou tenta fazer algo com elevado grau de dificuldade. Pense-se na complexidade dos sistemas económicos atuais, nos conflitos «raciais», em toda a problemática religiosa, nas consequências que se anteveem terríveis do coronavírus, nas controvérsias políticas e na germinação do pânico e do medo. Como empreender num momento em que, em função deste pânico e deste medo, se assiste a uma queda de mais de noventa por cento na venda de veículos automóveis, só na grande China?

Criar, inventar, nos períodos fraturantes da história é, no entanto, a grande tábua de salvação. Se, no campo estritamente científico, a descoberta de soluções médicas para doenças, novas e terríveis, é acontecimento felizmente recorrente, não menos o deve ser uma atitude positiva para o empreendimento, correlativo da invenção e da criação. Acreditar no otimismo histórico, no dinamismo económico e social mesmo em tempo de crises profundas, é meio caminho andado para o avanço humano. Neste contexto, empreender no âmbito do retalho é função obrigatória para a sobrevivência das empresas. Parar é, definitivamente, morrer.

*com JMS

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