Correio do Minho

Braga, sábado

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Crise de valores - Para onde caminhamos

Assim-assim, ou assim, sim?

Ideias

2014-10-01 às 06h00

Pedro Machado Pedro Machado

Recentemente foi divulgado o resultado do relatório de perícia ao incidente da queda dum muro junto à Universidade do Minho. Foi concluído que a queda se deveu ao excesso de peso e uso abusivo da estrutura. Este caso fez-me pensar na crise de valores que vivemos na sociedade actual, uma crise dos valores tradicionais, principalmente, a solidariedade, da ajuda ao próximo. Diz-se que os colegas “gritaram e fugiram em pânico” e, muitas pessoas que se encontravam nas imediações, “não prestaram auxílio”. Leva-me a pensar que os jovens, poderão ter morrido, fundamentalmente, porque ninguém lhes tirou aquele peso de cima!

Recentemente, na rua onde habito, mesmo por baixo das janelas do meu prédio, por volta das 6 horas, fui acordado com o alarme duma viatura. Fui o único a abrir a persiana do quarto para verificar se era um assalto.

O individualismo cada vez mais acentuado, a globalização, o apego cada vez maior à tecnologia, em detrimento das relações pessoais leva a um isolamento cada vez maior. Por outro lado, as pessoas estão cada vez mais desconfiadas, pois assistem a inúmeras burlas, crimes, levando a que não olhem para o lado, com medo de serem enganadas ou prejudicadas de alguma forma.
A sociedade é, actualmente, mais aberta e tolerante em certos aspectos, mas também, muito mais insegura, violenta e egoísta.

Na minha juventude, na Praça do Comércio nos anos 70 e 80, se alguém precisava de alguma coisa, era prontamente ajudado: levar um vizinho ao hospital porque subitamente adoeceu, auxiliar alguém em algum acidente, auxiliar num roubo. Recordo-mo por exemplo, do meu Pai, do Sr Né, do Chefe Dias, da Tia Tuxa, levarem a meio da noite, vizinhos ao Hospital, levarem crianças como eu, que se magoavam nas brincadeiras, a serem suturadas ao hospital! Muitas vezes aconteceu!

Hoje em dia tudo é subjectivo: os limites do que é certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto, são relativos.
Apontada por muitos como razão para esta crise de valores, é a falência dos modelos e relações familiares. A família é onde, em princípio, o ser humano adquire os primeiros valores. Com a existência de cada vez mais famílias disfuncionais, esta transmissão de valores torna-se difícil, as crianças deixam de ter referências.

Poderá então esta crise de valores estar ligada a falta de referências? Se assim for, estamos perante um ciclo vicioso, sem referências, os valores não são transmitidos, logo, esta geração também não poderá ser referência para as gerações vindouras.

No entanto, quero pensar e acreditar que esta crise de valores não é tão grave como se apregoa. Ainda conseguimos assistir a verdadeiras ondas de solidariedade. O que se torna estranho, é que, muitas vezes, não se olha para a porta ao lado onde o vizinho pode estar a precisar de ajuda, mas, se for anunciado nas redes sociais, torna-se um fenómeno, como é o caso dos banhos públicos.

A nossa sociedade poderá estar a apodrecer, mas podemos reverter a situação, não podemos pensar apenas no imediato, no mais cómodo, vamos olhar para o lado, ajudar quem precisa.
Ajude-se, ajudando!

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