Correio do Minho

Braga, quinta-feira

- +

Crocodilo ou perca-do-Nilo? Que falta que o pontinho faz!

A Martins Sarmento e as Festas Nicolinas em Tempo de Pandemia

Crocodilo ou perca-do-Nilo? Que falta que o pontinho faz!

Escreve quem sabe

2020-06-14 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

Nos últimos tempos, muito se tem falado da possibilidade de haver um crocodilo do Nilo a navegar pelas águas do rio Douro.
Quanto à perca-do-Nilo, com hífens, pois é uma espécie zoológica, é um peixe originário da Etiópia.
Falemos agora da língua. Devemos dizer “perda” ou “perca” quando usamos a palavra como nome comum? Dizem-nos vários dicionários que ambas as formas são corretas. Há, contudo, que ressalvar que “perca” é a forma popular formada, provavelmente, por analogia de algumas formas verbais do verbo “perder” (“perco”- presente do indicativo; “perca” - presente do conjuntivo). Esta forma deve, pois, ser evitada num discurso normativo. “Perda”, por seu lado, vem diretamente do latim, tendo uma origem erudita. A primeira forma pronuncia-se [pérca – com e aberto] e a segunda [pêrda – com e se- mifechado], mas, graficamente, nenhuma tem acento [perca e perda]. Não será nunca uma perda de tempo consultar um bom dicionário para ficar a saber mais.
O ponto, senhores, o ponto!

Numa luta quase diária, chamo a atenção dos alunos para a necessidade dos pontos abreviativos depois dos numerais ordinais para distingui-los dos graus. Todavia, quase se torna uma luta inglória quando as televisões teimam em esquecê-los frequentemente.
No concurso Joker, de que tanto gosto, são várias as vezes em que tal acontece. Num destes dias, surgia a seguinte pergunta: “Se um aluno está no segundo ciclo do ensino básico português, então é possível que esteja no… 3º ano, 6º ano, 9º ano ou 12º ano. Para além da falta óbvia do ponto abreviativo (3.º, 6.º, 9.º, 12.º), que faz com se confunda os numerais com graus Celsius, refira-se que os símbolos das unidades que representam a grandeza se escrevem com um espaço de intervalo, pelo que o “o” em expoente deveria estar afastado do número (3 ºC, 6 ºC, 9 ºC, 12ºC).

Se quisermos abreviar um numeral ordinal na sua forma feminina, devemos reduzi-lo a um número, seguido do ponto de abreviação e da terminação “a” após o ponto e em posição superior à linha (primeira – 1.ª). O “a” colocado em situação de expoente é a última letra do numeral. O sublinhado da vogal o (1.º) ou a (1.ª) é opção de natureza gráfica/estética, mas não substitui o ponto abreviativo.
Para mais informação sobre abreviaturas e símbolos, pode consultar o Decreto-Lei n.º 128/2010,de 3 de Dezembro (reparem no ponto abreviativo em n.º) em https://dre.pt/application/dir/pdf1sdip/2010/12/23400/0544405454.pdf. Destaco, também, uma obra de referência, editada pela Plátano Editora, da autoria de Guilherme de Almeida que já aqui tinha destacado: Sistema Internacional de Unidades.
Bom domingo.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

24 Novembro 2020

Habitação acessível (2)

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho