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Da esquerda para a direita

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Da esquerda para a direita

Ideias

2023-06-21 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

OJournal du Dimanche – JDD – publica – 18/06 – uma sondagem interessante: 42% dos eleitores franceses votaram já alguma vez em candidatos do Ras- semblement National – RN. Facto que apreendo sem paixão, que sequer aludo como alerta com vista a medidas cautelares por aplicação ao panorama português.
Nesta data – 18/06 – cumprem-se 83 anos da alocução de De Gaulle. Tão lateral foi que dela não se fez gravação. Há transcrições, naturalmente. Apelava De Gaulle à resistência ante o ocupante, invocando a inteligência, a lógica, o bom senso, não a mera flama patriótica: a Alemanha jamais se imporia, pelo óbvio que a força combinada dos EUA e URSS, uma vez em campo, inverteria o curso da guerra. Esteve De Gaulle sozinho, ninguém de peso da estrutura política, económica, militar, subscreveu o seu incitamento. Não recordo que esta efeméride seja celebrada, mas questão faz Macron de a chamar à ribalta com discurso no memorial de Mont Valérian.
Registo a curiosidade deste eterno retorno a De Gaulle, como nós porventura a Salazar, mas por racional inverso – eles por legitimação assimiladora, nós por contraste, mas eles e nós como resposta aos impasses, a faltas de rumo e de visão.
Entre pares, verá o cidadão comum francês que sozinha vem estando Marine Le Pen, e por prémio se amplia e diversifica o seu eleitorado, tocando já todas as categorias sociológicas. O bicho-papão, não de discurso demagógico, mas de factos consumados, está hoje à esquerda, porque dela vêm os que em Brest tomam de assalto uma sessão de autógrafos de Zemmour que, goste-se ou não, é líder de um partido legal, e mui herdeiro se reclama do ideário de De Gaulle. Da mesma esquerda ecológico-anarquista Soulèvement de la Terre vêm as brigadas do caos: esta semana por causa da linha ferroviária Lyon-Turim, a outra porque em Rennes não lhes agradasse um sistema de estufas, ainda que com rega gota-a-gota e livre de pesticidas, pecando porém, a seus olhos, pelo movimento de areias. E uma autoestrada em projecto ao mesmo se prestou, sem esquecer, em data recente, as bacias de rega de Sainte Soline.
Remonta a uma dezena de anos o meu contacto com o conceito de ZAD – zona a defender. Tudo sendo zona a defender, viveriam os cavaleiros andantes de hoje em sociedades tão subdesenvolvidas como aquelas de onde fogem em perigo de morte mediterrânica milhares de migrantes, que a dita esquerda insiste que acolhíveis, e ai de quem ensaie retorquir, que logo a infâmia de racista ou xenófobo se lhe cola.
É dos compêndios que fica só quem repisa o que não queiramos ouvir e, por estranho que pareça, muito agente político de hoje resvala constantemente para pensamento dogmático do pior que em tempos se criticou ao catolicismo, para não dizer a um Socialismo de Estado que não soube estar à altura de ideais.
Com a França que possam os franceses e promovam eles em urna quem bem entendam. O Chega de cá, a quem não se conhece uma ideia, nem primo afastado é do RN. O nosso drama, porém, é que nem ao PSD se conheça ideia e pensamento articulado, e que tão metaforicamente estrábico seja um primeiro-ministro que não consegue ver trave em olho próprio. É, para mim, o que o lápis representa. E, vá lá, em maré de hermenêutica, que valha o narizito de Tó pela pocilga em que se consolam rosados governos.
Pelo resto, só faltava agora que após 50 anos a subir se viesse queixar de racismo. É mesmo de quem não se enxerga.

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