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Da pesada herança de 2020, à esperança que constrói 2021

Escola Frei Caetano Brandão

Da pesada herança de 2020, à esperança que constrói 2021

Ideias

2021-01-09 às 06h00

Isabel Estrada Carvalhais Isabel Estrada Carvalhais

O ano de 2020 ficará para sempre marcado na nossa memória como um dos anos mais difíceis e dramáticos das nossas vidas. Entre tantos desafios, as novas rotinas de trabalho, nem sempre muito compatíveis com a natureza das nossas funções laborais, foi mais outro desafio que tivemos de enfrentar. De facto, se por um lado as novas tecnologias de informação e de comunicação foram fundamentais na criação de respostas eficazes às limitações impostas pela pandemia, por outro lado, o teletrabalho revelou-se para muitos um mundo novo que necessita de maior regulação, de modo a articular-se de forma mais equilibrada e saudável com a vida familiar e pessoal. Pese embora ser um desafio que se revelou transversal, foi notoriamente sobre as mulheres que o teletrabalho mais repercutiu os seus efeitos menos benéficos. A explosão de teletrabalho não nos pode, todavia, fazer esquecer os portugueses que tiveram de dar continuidade ás suas atividades fora de casa (e foram muitas as profissões, desde, profissionais do setor agro-alimentar, da distribuição, até profissionais da saúde, da higiene e segurança das nossas cidades, entre tantos outros). E não nos pode fazer esquecer de todos quantos perderam os seus empregos e viram diminuir drasticamente os seus rendimentos.

Entretanto, a chegada das primeiras vacinas no combate ao COVID19, veio restabelecer um pouco o ânimo e trazer uma nota de tranquilidade e de esperança que nos fazia já muita falta. E deverá ser com confiança e com esta esperança renascida que devemos encarar o novo ano e os desafios, que por certo também nos trará. Para além da continuação dos planos de vacinação, 2021 é também o ano do arranque da implementação dos planos de recuperação económica e social na União Europeia! Afinal, contra todas as vozes populistas e eurocéticas, a União Europeia não implodiu. Pelo contrário, juntos temos demonstrado, mais uma vez na História da Europa, que é na união e na solidariedade que encontramos as respostas às nossas crises. As respostas não estão nas derivas isolacionistas que os Governos de alguns Estados-Membros procuraram ensaiar no início da pandemia.

O ano de 2021 começa também com Portugal ao comando da Europa nos primeiros seis meses, sendo esta a quarta vez que o nosso país assume a Presidência do Conselho da União Europeia. E é bom também frisar a este propósito, que a presidência do Conselho da União Europeia tem um impacto enorme sobre a imagem externa de todo um país, e não apenas deste ou daquele Governo. Portanto, o que deve prevalecer na ação de todos os agentes políticos nacionais deve ser um verdadeiro sentido de Estado.
Sob o lema: Tempo de Agir – uma recuperação justa, verde e digital, Portugal terá em mãos dossiês muito importantes. Entre eles, estarão as negociações da Política Agrícola Comum (PAC), marco importante para a concretização dos objetivos do Pacto Ecológico Europeu), mas também para o assegurar de maior justiça social e inclusão dos agricultores, para a viabilidade e competitividade económica das diferentes fileiras, e para a preservação das nossas zonas rurais. Para tal, a aposta na investigação científica e na inovação tecnológica, na digitalização, na formação e aconselhamento dos agricultores, serão estratégias, a meu ver, fundamentais na prossecução dos complexos e múltiplos objetivos da PAC.
Também relevante será o Pacto sobre Migração e Asilo, dossiê de enorme dificuldade negocial e no qual Portugal tem assumido, juntamente com outros países, uma posição de grande abertura no sentido de ver nas migrações, oportunidades e enriquecimento mútuo, e não apenas ameaças e fenómenos de instabilidade.
Portugal terá uma agenda repleta de temas fortes que espelham naturalmente os grandes desafios da própria União Europeia.
Num primeiro olhar, poderá parecer que a União Europeia estará essencialmente centrada nos seus problemas internos. Contudo, a UE também está fortemente empenhada em investir na sua dimensão de ator global. Destaco aqui, também no contexto da Presidência Portuguesa, a realização da Cimeira UE-Índia, e a disponibilidade já demonstrada pelo Governo português de realizar a Cimeira UE-Africa adiada em 2020 em virtude da pandemia.
Também sobre foco estarão as relações com outros grandes atores internacionais, como os EUA e como a China (com a qual a UE vem negociando nos últimos sete anos um dos mais importantes acordos, mas também dos mais complexos e difíceis, em que certos pontos como a questão dos direitos laborais, por exemplo, não estão ainda fechados). Em última instância, podemos dizer que a própria gestão da crise económica interna, através dos 750 mil milhões de euros do Plano Europeu de Recuperação que promete auxiliar os Estados-membros a dar a volta à crise provocada pela pandemia, faz parte da estratégia global de fortalecimento da liderança da União no mundo.
De facto, um ator global com a natureza sui generis da União, que procura ser motor de um novo paradigma de desenvolvimento humano e ambiental, mais justo, mais resiliente, mais sustentável, tem naturalmente de buscar, desde logo, dentro de si toda a força que emana dos seus cidadãos, das suas instituições democráticas, dos seus sistemas de saúde, da sua economia e isso exige capacidade de entrega (delivery) – a capacidade de entrega, de ação, e de resposta que a Presidência Portuguesa assume como o seu compromisso.
As anteriores presidências portuguesas foram sempre coroadas de sucesso, e apontadas como exemplos de eficiência, de boa organização e de grande capacidade negocial. Estou certa de que, a boa fama que nos precede terá na nova presidência mais do que razões para a sua continuidade.

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