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Dar horas ao patrão

Ideias Políticas

2019-12-10 às 06h00

Rita Barros Rita Barros

A julgar pela importância que os jornais da região lhe dão, dir-se-ia que a luta dos trabalhadores da Kyaia – empresa de calçado com fábricas em Paredes de Coura e Guimarães – é parca, inútil e com fim à vista. Na verdade, ela foi assumida pela maioria dos operários e continua, em força.
Contextualizando: o Grupo Fortunato O. Frederico & C.ia, Lda (que detém 4 empresas instaladas no Minho), decidiu contrariar o Contrato Colectivo de Trabalho e da Lei Laboral, impondo que os operários deveriam trabalhar mais 20 minutos por dia para “compensar” as 2 pausas de 10 minutos. Ou seja, esta empresa decide interpretar que as pausas durante o horário de trabalho (sublinhe-se durante) não é uma exigência que decorre da Lei. Na verdade, esta empresa quer recuperar o tratamento a que os operários deste sector eram sujeitos no final do século passado (ficar-se-ão pelo século XX?).

Os trabalhadores da fábrica de calçado Kyaia – que produzem para marcas como as conhecidas Foreva e Fly London – não aceitam este abuso, que na prática corresponde a mais 7 horas de trabalho por mês “oferecidas” ao patrão por cada trabalhador. Na recusa de a maioria dos trabalhadores da produção se manterem a trabalhar após o seu habitual horário, a empresa descontou essas mesmas horas de trabalho (ilegalmente, está claro) nos salários, e classificou--as como faltas injustificadas.
O Sindicato do Calçado do Minho e Trás-os-Montes denunciou esta situação à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) de Viana do Castelo e de Guimarães, bem como requereu uma providência cautelar para suspender a alteração ilegal do horário de trabalho.

Com este absurdo corte de 4% no salário, os trabalhadores concentraram-se em Guimarães e em Paredes de Coura para exigir que a empresa cumpra a lei, repondo o horário de 40 horas semanais, e o pagamento dos salários por inteiro.
A deputada do PCP à Assembleia da República Diana Ferreira, eleita pelo círculo do Porto, dirigiu, entretanto, uma pergunta ao Governo (145/XIV/1) sobre esta violação de direitos laborais, ainda sem resposta.
À data, a empresa mantém a sua postura irredutível, tendo afirmado ao Jornal de Negócios: “temos que nos preocupar com a empresa”, como se esta funcionasse sem trabalhadores, e: “temos que nos preocupar com aquilo que é importante”, o que, segundo o próprio, é “a gente manter a empresa a trabalhar e a pagar direitinho”. Fica claro que para este patrão o importante é tudo menos quem produz aquilo que ele vende, e que “pagar direitinho” corresponde à data em que o salário é pago, e não o valor contratado.

Que uma empresa tenha a desfaçatez de assim tratar os trabalhadores, incumprindo a Lei, revela a necessidade de estarmos sempre atentos à mais estreita oportunidade de atentar contra os nossos direitos e dignidade, e de nos batermos pelo tratamento justo.
pasdfsf

*A autora não cumpre o Acordo Ortográfico por não concordar com a sua aplicação.

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