Correio do Minho

Braga, terça-feira

Data especial ou síndrome do aniversário

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Escreve quem sabe

2015-02-01 às 06h00

Joana Silva

O aniversário é uma data especial e dificilmente alguém se esquece. Se para algumas pessoas, a celebração da mesma deve ser de “pompa e circunstância” com a organização de uma festa, organização de um jantar, uma saída, seja com a família ou amigos, outras porém preferem não pensar na data “fica em branco”. Já ouviu com certeza da expressão, “Ai se eu pudesse voltar aos meus 18 anos!”, ou quando se pergunta ao aniversariante “Quantas velas apaga?”, em tom de brincadeira responde, “15 primaveras!” para não ter de referir a “idade real”. Na verdade, é muito desejada a “fase da independência”, concretamente, os 18 anos mas quando o número de anos avança … parece já não haver necessidade de os contar e a história é outra.

Estamos perante um fenómeno que se poderá apelidar de síndrome do aniversário (referido por investigadores) quando a data é interpelada por uma visão/atitude negativa da vida associada à idade que se tem. É justamente, no dia de aniversário que normalmente é feita uma reflexão do “balanço do ano” desde o último aniversário, surgindo pensamentos automáticos menos bons como por exemplo, “ Estou a envelhecer.”, “ A idade está a passar por mim e sinto que não consegui realizar-me a nível profissional ou emocional que seria esperado para esta idade.”

Isto porque as pessoas são influenciadas culturalmente e do ponto de vista de ordem, biológica, cronológica (anos), e social pela sociedade que impõe de certa forma, timings específicos para a concretização de aspetos da vida, como a X idade para ter um emprego de topo de carreira, ter um (a) companheiro (a), ser pai ou mãe. Neste sentido, na auto-perceção de que “determinada idade” não há a “conquista” destes “objetivos” sofrem profundamente…daí o sentimento da não necessidade de celebração ou festejo da data.

O efeito “bola de neve” ocorre quando sistematicamente os aniversários não são vividos em plenitude, em que fazer anos “é desconfortável” porque o pensamento fixa-se no que não foi conseguido e essas mesmas memórias são transferidas para os aniversários que se seguem. Importa referir que a não celebração pode se prender a situações vivenciais traumáticas e menos felizes (ex. a perda de alguém muito querido) que coincide com a data de aniversário.

Na verdade e segundo os especialistas, os aniversariantes propendem a festejar a data quando tem um auto conceito e auto estima forte, quando socialmente são felizes e bem-sucedidos, isto é, tem uma rede de amigos coesos, sendo que também a família funcional (boas relações, prestação apoio e segurança) também ajudam.

A data de aniversário é sinónimo de celebração da vida. O segredo da felicidade é coadjuvada pela percepção das memórias felizes, do erros mas também dos recomeços sendo que o fator idade é meramente um número. Já se apercebeu com certeza que muitas pessoas apesar da sua idade cronológica (anos) apresentam uma jovialidade fantástica. Esta situação prende-se sobretudo pela forma como encaram a vida, pois não devemos adotar determinada postura só porque o fator idade assim o exige.

Lembre-se a idade, não dita a sua felicidade. Somente de si depende. Encare a idade com um sorriso e se acha que deve fazer determinada situação, não se prive! A idade não é entrave! Seja feliz e ainda vai a tempo de começar ou recomeçar a gostar do seu aniversário!

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