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De Maio para Abril

O Estado desta Nação

De Maio para Abril

Ideias

2024-03-13 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Rio, em 2022, foi aos 77 deputados. Montenegro e acólitos, em 2024, foi aos 79. Ainda estão a contas 4 assentos mas, para o que interessa, adiantaríamos que bate no empate técnico. Rio – diziam todos os amigos que não tinha – era inábil: Montenegro será o quê? Resultado a que não falha um toque de graça perversa, qual cereja de calda, ou no lote dos 77 não estejam dois penetras do CDS. Em suma, com toda a bazófia, Montenegro e companheiros podem reverter sobre si tudo o que de despudorado espalharam sobre Rio.
O PSD não cresceu. O PS, caindo do alto da sua pedante magnificência, aterrou no patamar do adversário. Uns mesitos de dieta, um programa de seminários de reflexão, uns ajustes de linguagem, algum critério na escolha e promoção de quadros, e sair-nos-ão a palco prontos para mais uma temporada na ribalta. Pedro Nuno Santos tem rasgo para tanto. Aliás, ele e Ventura são feitos de massa congénere, são pão que pode ficar ao seco sem criar bolores, o que não é o caso do indigitável primeiro-ministro e corte próxima.
Montenegro não acrescentou ao PSD. Podemos, bem pelo contrário, dizer que foi o PSD que puxou Montenegro a um desempenho minimamente consentâneo com a capacidade instalada, com o nicho sociológico e cultural que o Partido preenche. Corrido Rio, que desenvoltura vimos Montenegro patentear? Com Costa em estado vegetativo e o PS em convulsão sucessória, que génio lhe surpreendemos em erupção? O discurso de fiéis glosava que seria cedo para queimar trunfos, por fraco sinal assumindo que o pouco que contasse em arsenal tivesse de ficar ao fresco para as horas derradeiras.
Não vai longe quem parte muito de trás e, salvo por fábula, o cágado só ganha corridas de cágado. Como quer que seja, dinheiro parece ter em cofre para umas flores, para uns aumentos aqui, para umas carreiras ali, para umas contratações que remendem os rotos de serviços depauperados. Na realidade, é como se lhe tivesse calhado papel inverso ao que incumbiu a Passos Coelho. Será corda suficiente para potenciar andamento? Será sol de pouca dura, tanto que nos interroguemos sem assombro para quando um eclipse irreversível? Estarão para breve os lamentos de carpideira, como esses que se vão ouvindo pela lenta agonia do PCP? De mau augúrio terá sido a ida a urnas com dois fósseis políticos? Tempo que não faltou ao PSD para arejar discurso, para rejuvenescer fileiras, para um estágio de modernidade.
Tem o Chega músculo, mas não tem maneiras. Tem adeptos, mas não tem imprensa. Tem música, mas não tem letra. Ora, bem vistas as coisas, tem o que interessa, porque a modinha é que fica no ouvido e mesmo em la-la-la anima o espírito. E depois é o ar dos tempos, ou não haja uma guinada à direita Europa fora. E ainda estamos para ver como se componha o quadro nos EUA.
Uma esperança, porém, a de que Montenegro consiga chamar a Governo quem mais atinja do que ele, e lho saiba explicar. Como bem temos presente, Costa, com tanto traquejo, com tão sólida e disciplinada bancada, queimou uma oportunidade de ficar briosamente na História. Caímos porque nos rasteirem ou porque troquemos pés desajeitadamente. Damos má conta de nós, frequentemente, porque nos suponhamos mais competentes do que realmente somos.
Durão Barroso trocou por coisa melhor. Santana Lopes não esteve à altura, nem Sampaio lhe perdoaria o mau jeito. Passos Coelho foi-nos ao bolso com as finanças em ruínas. Montenegro é o que possa calhar. No pior será mais um atraso de vida. Na melhor das hipóteses governará pacatamente, segundo prioridades simples e claras, embaraçando oposições.

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