Correio do Minho

Braga,

De Rousseau à Flexibilidade Curricular

Amigos não são amiguinhos

Voz às Escolas

2018-10-31 às 06h00

João Graça

Jean-Jacques Rousseau, um dos mais importantes filósofos do iluminismo, apresentou no século XVIII uma proposta de educação onde enfatizava a necessidade de educar a criança para que esta se torne autônoma, ou seja, que esta se torne sujeito e o dono do seu próprio destino, passando a pensar por conta própria.
Mas a ideia da promoção de alunos autónomos dividiu e divide as políticas em educação.
Ao longo dos últimos 26 anos a situação curricular e as práticas pedagógicas em Portugal pautaram-se muitas vezes pelo seu caráter disruptivo, assumindo contornos de macroreformas tendo sido marcantes no último quartel de século XX.

A ideia de lógicas de reorganização e modernização, assentes em políticas de experimentação-generalização, pautadas na sua ação pela ideia e critérios de uniformidade, como é o caso Reforma Curricular de Roberto Carneiro em 1989, imperaram e dominaram.
Mais tarde, a massificação da escola, o alargamento da escolaridade obrigatória, trazem a sociedade para a escola e a escola para a sociedade e é esta lógica de proximidade, esta necessidade de capacitar e qualificar cidadãos que obriga a alterações e reformulações nas escolas.

No final do século XX e início do novo milénio, pós-massificação, as políticas curriculares internacionais promovem a lógica de “binómio curricular”, onde se harmonizam políticas educativas de carater nacional com lógicas de autonomia curricular, agudizadas pela importância da valorização do indivíduo, e da importância da diversidade como fonte de enriquecimento e não de entropia.
Em julho de 2018, a ideia da Flexibilidade Curricular toma forma e entra nas escolas. Muitos professores, encarregados de educação e alunos aguardavam a sua chegada, pois consideravam que a escola não é imutável, devendo ajustar-se ao aluno. Urgia, pois preconizar a evolução de um currículo, segundo Maria do Céu Roldão, menos prescritivo e mais orientativo, onde se procura reforçar os sistemas educativos através da aprendizagem pelos/com os pares, da interação e da capacitação dos alunos pelo desenvolvimento e potenciação das suas skills, tal como previsto no Directorate for Education and Skills da OCDE.

O Decreto-Lei n.º55/2018 assume a necessidade de preparar “os alunos, que serão jovens e adultos em 2030, para empregos ainda não criados, para tecnologias ainda não inventadas, para a resolução de problemas que ainda se desconhecem”. Importa, pois, desenvolver nos alunos competências que lhes permitam questionar os saberes estabelecidos, integrar conhecimentos emergentes, comunicar eficientemente e resolver problemas complexos.
Aprender deixou de ser sinónimo de um mero ato de transmissão de conhecimentos, para se assumir como um ato de pesquisa, reflexão, debate, troca de opiniões, de experimentação,…

A Escola Secundária de Vila Verde (ESVV) apropriou-se da Flexibilidade Curricular com novas formas de fazer escola, de ensinar, procurando na inovação e na criatividade o élan para este novo aluno que se pretende à saída da escolaridade obrigatória, talvez porque, como diz Mário Cláudio, ” Creio que a vida de todos nós se faz não só de factos mas também de coisas que imaginamos” e de facto, muitos professores imaginavam estes novos paradigmas em educação, esperavam por eles…
A ESVV ao potenciar a criação de Laboratórios de Aprendizagem, espaços que comportam ambientes educativos aliciantes com o uso da tecnologia que privilegiam a ação do aluno, favorecendo a motivação, a criatividade e o envolvimento deste na construção individual ou coletiva do conhecimento, representa a vontade de transformar o aluno como elemento essencial no processo de aprendizagem.

O supracitado Decreto-Lei aporta o conceito de Domínios de Autonomia Curricular, que não são mais do que momentos de trabalho interdisciplinar que podem assumir o formato de projetos construídos numa dimensão de colaboração e partilha. No nosso caso, o projeto “Casa Sustentável” visa que a aprendizagem seja um processo de construção coletivo, social, em grupo, em que os alunos se apoderam do conhecimento. Estamos convictos que este projeto permite a apropriação e a fusão das valências de cada um para a elaboração de um produto final, porque “A Escola faz-se com TODOS!”

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