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Deal? No Deal?....eis a questão!

A saia comprida

Deal? No Deal?....eis a questão!

Ideias

2019-09-07 às 06h00

Pedro Madeira Froufe Pedro Madeira Froufe

Esta semana trouxe novamente aos olhos e às preocupações da Europa, a turbulenta situação política do Reino Unido. Após a assunção do Brexit como um facto irreversível, agora retoma-se o debate errático sobre uma saída com acordo (soft Brexit) ou, ao invés, uma saída a um só golpe, sem transição, nem qualquer tipo de acordo (hard Brexit).

Boris Johnson teve na passada quarta-feira a primeira derrota significativa, infligida pelo Parlamento, na sua estratégia de tirar a todo o custo o Reino Unido da UE, em 31 de Outubro do corrente ano (logo, sem acordo - leia-se: sem a adesão de Bruxelas às suas condições). A Câmara dos Comuns (o Parlamento) aprovou por maioria (mesmo com o voto de muitos deputados conservadores) um adiamento do Brexit para 31 de Janeiro de 2020. Na realidade, tratou-se de uma dupla derrota, pois o Parlamento inviabilizou, igualmente, a tentativa de Boris Johnson de antecipar as eleições para uma data que, mesmo à justa, ainda lhe permitisse concretizar uma saída sem acordo (pois na perspetiva do atual primeiro-ministro inglês, ele seria – e provavelmente continuará mesmo a ser - o vencedor dessas próximas eleições). Importa, neste ponto, relembrar que existiu já um acordo, negociado entre a União e Theresa May. Acordo esse recusado pelo Parlamento e, naturalmente, demonizado pelo atual primeiro-ministro. Há um entendimento generalizado, em ambos os lados do Canal da Mancha, de que um hard Brexit será catastrófico. As consequências económicas, sociais e políticas serão imprevisíveis. A economia da UE sofrerá danos e passará por provações, não mais, no entanto, do que aquilo que serão os problemas a suportar pelo Reino Unido.

Neste caso, agravados pela pulsão separatista da Escócia (que se intensificará, mal esteja concretizado o Brexit) e pelos problemas políticos que se desencadearão com o retomar das fronteiras entre a República da Irlanda, Inglaterra e, por decorrência, a Irlanda no Norte.
Ora, no meio de (inimagináveis) cenários negativos, no contexto de um engulho na integração (a saída de um Estado membro), a prazo e como sucede em todas as crises, elas (as crises) poderão também criar boas oportunidades. O Brexit poderá servir de impulsionador indireto ao reforço da integração; poderá catalisar uma redefinição mais pragmática, linear e politicamente mais assertiva para o futuro da Europa.

A memória política coletiva poderá ser curta, mas a verdade é que a História da integração europeia tem sido edificada a partir de crises – é uma sucessão de crises, sempre aparentemente definitivas, mas também sempre recorrentemente ultrapassadas. E mesmo agora, a propósito do Brexit, há sinais auspiciosos, nesse sentido: ao invés de algumas opiniões expressas logo após serem conhecidos e assimilados os resultados do referendo britânico, houve não uma dinâmica de desagregação, mas sim um reforço ou uma reafirmação da vontade política geral dos 27 Estados membros em se resguardar o projeto europeu de derivas destruidoras; reforçou-se a vontade coletiva de, no mínimo, preservar-se a integração.
Na realidade, mesmo considerando alguns arremedos de ameaças feitos pela Itália de Salvini, na sequência de divergências orçamentais com a Comissão Europeia, ninguém quis seguir ou usar o exemplo do Brexit para fins “egoísticos – nacionais”, no contexto da dinâmica política negocial da UE

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