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Depois do Natal e do Verão, o que é que devemos tentar salvar?

A resolução de conflitos de consumo através da Internet (RLL)

Depois do Natal e do Verão,  o que é que devemos tentar salvar?

Ideias

2021-04-17 às 06h00

Pedro Madeira Froufe Pedro Madeira Froufe

Estamos em contagem decrescente para abrirmos o país. Desconfinar, é a palavra de ordem. Em bom rigor, ainda não paramos, coletivamente, para pensar. Todo o processo e gestão de expectativas respeitantes à pandemia têm sido marcados por avanços, recuos, ziguezagues e incoerências.
Algumas caricatas, não fosse o caso de termos doentes e várias (muitas) mortes a lamentar! No fundo, tudo é relativamente desculpável e, na verdade, decorre de uma situação imprevista, impensável e, sobretudo, relativamente à qual não estávamos e continuamos a não estar preparados.

Tivemos, agora, um confinamento “light”, comparativamente com o último, de 2020. Não foi um confinamento total, desde logo porque, na verdade, só cerca de 28% da população ativa teve condições ou pôde passar para um regime de teletrabalho. Além disso, as exceções – muitas vezes incompreensíveis e, para muitos, injustificadas (tal como injustificadas foram muitas situações de encerramento ou de limitação de atividades) - fizeram deste regime de prevenção e de confinamento um aparente e incompreensível ziguezaguear, marcado por tentativas de salvamento. Tentamos, no final de 2020, “salvar” o Natal, com o resultado que se viu; agora, estamos a querer “salvar o Verão”, esperando-se, numa assunção plena de um ato de fé, que o resultado não seja o mesmo do salvamento do Natal! Todos aprendemos o que era o “RT”; assim sendo, todos percebemos que desconfinar em contraciclo com o estado do dito “RT” (alto, a subir), pode significar, novamente, em meados de maio, uma situação incontrolável. Mas vamos arriscar. E arriscamos porque temos confiança (além de o desejarmos) que o processo de vacinação avançará o mais depressa possível. Atualmente, entre infetados recuperados e vacinados, temos cerca de 17% da população.

O objetivo é atingir-se uma taxa de 75% até ao final de setembro. Na verdade, só com sucesso na progressão do número de vacinados é que poderemos recuperar um mínimo de confiança para que, descansadamente, pensemos em não confinar mais, por estas razões pandémicas. A economia – ou o que da velha economia que conhecíamos, restar – só se recuperará se houver confiança. E essa, agora e como estão as coisas (em Portugal e, de um modo geral, na Europa) só se alcançará com a denominada “imunidade de grupo”. Tudo o resto são ilusões para fingirmos que conseguimos escapar à (dura e triste) realidade.
Em relação ao processo de vacinação, esta pandemia e, principalmente, o quadro titubeante que agora se vive, leva-nos a pensar que algo terá realmente que mudar, em termos de integração europeia! Desde logo, a política de investigação e a política industrial.

Creio que a primeira lição a tirar de tudo o que vamos vivendo, enquanto europeus, é a extrema necessidade de autossuficiência que a União tem no domínio da investigação aplicada e, portanto, no que respeita à sua capacidade de produção de vacinas, mas também, de um modo geral, de medicamentos (e, portanto, de produtos resultantes da inovação científica europeia).
Por outro lado, a pandemia veio acelerar a ocorrência de fenómenos que, incipientemente, estavam já em curso de iniciação.
Tirou-nos tempo de reação. A digitalização em curso já nos permitia antever que, em poucos anos, iríamos ter um problema de desemprego estrutural e inultrapassável. Agora, sem dúvida que um dos efeitos da pandemia (uma vez superada, seja lá de que forma for), será a ocorrência desse desajustamento social e económico, em poucos anos. Ora, será tempo de nos concentrarmos no embate que, a este respeito, muito brevemente, iremos ter que enfrentar. Será, com propriedade, tempo para um verdadeiro e, agora, forçosamente consequente, salvamento: o salvamento do nosso modo de vida, individual e coletivo!

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