Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Depois não se queixem!

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Ideias

2014-03-25 às 06h00

Jorge Cruz

Um inquérito efectuado pela agência Lusa junto de entidades oficiais locais concluiu que desde 2000 já foram encerrados 6.562 organismos e serviços públicos, com particular incidência no norte e no interior do país. O levantamento precisa que os “alvos” foram 4.492 escolas, 249 extensões de saúde e 411 estações de correios, além da redução de 1.168 juntas de freguesia e do fim dos 18 governos civis.

Este breve retrato, que numa boa parte dos casos tem deixado as populações à beira de um ataque de nervos, ainda não corresponde à situação final uma vez que o programa de encerramentos ainda não está concluído. De facto, prevê-se que nos próximos tempos fechem mais 155 serviços, número que inclui a extinção de 20 tribunais e a redução dos serviços em outros 27, que passam a secções de proximidade, além de mais umas dezenas de escolas, mas não contempla ainda o encerramento de repartições de Finanças. Ora, segundo uma projecção do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, poderemos estar a falar do fecho de 154 repartições, ou seja, cerca de metade das que existem actualmente.

No seu conjunto, são números bastante expressivos, principalmente se tivermos em linha de conta que as escolas foram os serviços mais afectados pela política de encerramentos. Este fenómeno, que só no distrito de Braga penalizou 452 estabelecimentos, teve maior expressão entre 2005 e 2011.

Os defensores deste tipo de políticas restritivas justificarão estes e outros cortes com alegadas boas práticas de gestão. Aduzirão ainda, em prol das suas posições, que muitas das medidas até foram adoptadas muito antes da chegada da troika ao nosso país. Claro que são argumentos plausíveis, razões perfeitamente admissíveis, mas insuficientes para explicar as opções tomadas.
Não nos podemos esquecer que muitos dos encerramentos operados resultaram em gravíssimos prejuízos para as populações locais, gente já altamente fragilizada por um vasto leque de problemas, como os que decorrem da interioridade, da doença e da idade avançada.

Pessoas que passaram a ser duplamente penalizadas, que ficaram com um fosso ainda maior relativamente a outros concidadãos que tiveram a sorte de nascer em zonas mais favorecidas. Porque não tenhamos dúvidas: grande parte desta política de encerramento de serviços públicos aumentou consideravelmente as assimetrias no território nacional e, consequentemente, agravou as condições de vida de muitos portugueses.

Não creio que os ganhos financeiros, se é que existiram verdadeiramente, compensem as nefastas consequências dos muitos cortes mais ou menos cegos que foram sendo aplicados. Todos temos consciência da imperiosa necessidade de gerir bem os parcos recursos disponíveis. Mas não se pode esperar que nesta como em outras matérias - por exemplo nas questões fiscais - sejam sempre os mesmos, curiosamente os mais fracos, a sofrer os sacrifícios. E a verdade é que não obstante as sucessivas promessas e os consecutivos anúncios, áreas existem em que praticamente ninguém ousou mexer.

De facto, todos ouvimos declarações assertivas sobre a redução substancial de fundações, de observatórios, de comissões e de outros organismos ou estruturas públicas. Falou-se na diminuição do aparelho governamental, na redução do número de deputados na Assembleia da República e até num novo mapa autárquico, com a consequente diminuição do número de municípios. Mas a realidade é bem diferente dos diversos cenários que, sobre essas matérias, nos foram sendo apresentados.

Pelo contrário, assiste-se ao aumento, por vezes desmesurado, dos gabinetes ministeriais, à manutenção, quando não crescimento dos custos com o aparelho de Estado, a que nem a Casa Civil da Presidência da República escapa. E, claro está, depois ainda se queixam do divórcio entre eleitores e eleitos. E ficam surpreendidos com os índices de abstenção. E queixam-se de terem má imagem mas esquecem-se que afinal são eles próprios a construir a sua imagem. Por estas e por outras, pelas políticas erráticas, pelas mentiras e escândalos, é que vamos assistindo com horror ao crescimento eleitoral da extrema-direita na Europa. Como ainda este fim-de-semana se verificou em França.



Num registo bem diferente, não queria deixar passar a oportunidade de congratular o arquitecto bracarense José Carvalho Araújo, autor do projecto de reabilitação do edifício GNRation, e a própria Câmara Municipal de Braga, que promoveu a intervenção no antigo Quartel da GNR de Braga.

O trabalho ali desenvolvido, digno de ser visitado e que honra os seus autores e a própria cidade, foi agora justamente distinguido com o ‘Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2014’, na categoria de “melhor intervenção com impacto social”.

Esta distinção, que se junta a outros prémios anteriormente atribuídos a diversas intervenções que a autarquia promoveu ao longo dos anos, vem demonstrar que às vezes é mais fácil - e justo - o reconhecimento exterior do que dos próprios bracarenses.

Também por essa razão, parece-me interessante destacar a postura do actual executivo camarário ao endereçar “as mais sinceras felicitações ao arquitecto Carvalho Araújo, projectista que reflecte a excelência do trabalho dos gabinetes de arquitectura existentes em Braga”. A autarquia liderada por Ricardo Rio diz ainda “não poder deixar de partilhar este reconhecimento de mérito com o anterior executivo, que assumiu o arranque e a concretização daquela obra emblemática”.

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