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Desafios da alimentação mundial

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Desafios da alimentação mundial

Ensino

2020-01-09 às 06h00

Susana Mendes Susana Mendes

Omundo enfrenta uma crescente exigência de produção agrícola, decorrente do aumento da população humana, do aumento do consumo de carne e laticínios e do consumo de biocombustíveis. Para 2050, a produção agrícola global poderá ter de aumentar entre 60% a 110%, não ignorando a sustentabilidade dos ecossistemas, o crescimento económico e a equidade social, particularmente num cenário de alterações climáticas. Este aumento representa um enorme desafio para toda a sociedade, em particular para o sector agrícola e para a comunidade científica.
Algumas das alterações climáticas com impacto negativo no crescimento e na produtividade das culturas agrícolas são a gestão da água, a redução na taxa da fotossíntese, a redução no número de dias de crescimento das culturas e as perdas de rendimento por ataque de pragas. Neste último caso, são esperadas perdas entre 10% a 25% por cada grau de subida de temperatura, com maior incidência nas zonas temperadas. O número de dias úteis de crescimento das culturas agrícolas também será afetado, com uma diminuição global até 11%, quando outras variáveis climáticas que limitam o crescimento das plantas são consideradas. Na Rússia, China e Canadá há áreas que poderão vir a ganhar dias úteis de crescimento das plantas, mas o resto do mundo sofrerá perdas, particularmente as áreas tropicais, que podem perder até 200 dias úteis por ano.
Numerosos estudos mostram que o investimento em investigação e desenvolvimento pode ajudar a solucionar o necessário crescimento agrícola e a adaptação a novas condições ambientais. Atualmente, estão a ser feitos esforços no sentido de melhorar o rendimento das culturas com uso mais eficiente dos fatores de produção, nomeadamente, através da agricultura de precisão, na compreensão da interface raiz/solo e nos processos microbio- lógicos associados, na melhoria das propriedades do solo e na utilização de plantas com características de tolerância aos stresses bióticos e abióticos.
O aumento da taxa de fotossíntese foi recentemente revitalizado como uma abordagem para aumentar a produção e ajudar a resolver a crise mundial de alimentos. Em novembro, cientistas da Universidade de Sheffield revelaram a estrutura do complexo proteico que influencia significativamente o crescimento das plantas através da fotossíntese. Esta descoberta vai abrir um novo campo de atuação no âmbito da ‘engenharia da fotossíntese’. As implicações serão enormes. O melhoramento convencional alcançou todo o seu potencial para aumentar a produção e, como tal, a possível manipulação da fotossíntese poderá ser uma das poucas saídas que restam para as desejadas melhorias do rendimento das culturas, através do desenvolvimento de técnicas capazes de aumentar a capacidade das plantas capturarem e transformarem a luz solar em nutrientes.
A investigação atual também tem contribuído para a compreensão das bases bioquímicas e moleculares dos mecanismos de adaptação das plantas aos stresses abióticos, tais como falta de água, salinidade, temperaturas extremas, e bióticos como o ataque por pragas e doenças. O estudo das respostas das plantas a temperaturas extremas, especialmente importante na floração, é crucial para o desenvolvimento de genótipos tolerantes a este fator de stress.
Ultrapassar estes desafios da alimentação mundial exigirá um esforço acrescido da investigação e da produção, de modo a atingir novas soluções sustentáveis para a obtenção de produtos alimentares em quantidade e qualidade necessários.

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