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Desafios

O espantalho

Voz às Escolas

2015-06-04 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Os anos sucedem-se a uma velocidade incontrolável tal as mudanças e os constrangimentos com que as escolas têm sido brindadas, sobretudo ao longo dos últimos anos.
E se o processo de encerramento de um ano nos coloca perante situações que chegam a ser dramáticas, se tivermos presente a diminuição progressiva da taxa de natalidade e, por arrastamento, de alunos, do que decorrem exercícios de autêntica acrobacia para assegurar a continuidade das equipas pedagógicas e a consequente rentabilização de todo o investimento feito na implementação de estratégias que respondam às reais necessidades e expectativas das comunidades educativas, por outro lado, o início de um novo ano, antes previsível, ao nível do clima de escola, é uma autêntica caixa de surpresas.
As condicionantes relativamente à organização de cada ano letivo produzem, regularmente, alterações que as direções não podem contornar, alterações essas que têm um efeito negativo nos agentes educativos, regressados de um afastamento temporário, nem sempre suficiente, das escolas, do que decorre que a predisposição para iniciar um novo ano seja abalada e emerjam situações de conflito, geralmente apenas latente mas suficientemente notório para causar mal estar.
O arranque de cada ano letivo é, sem dúvida, um desafio para as lideranças das escolas, conscientes de que o ano se ganha nos primeiros combates e de que, por mais experientes e profissionais que sejam, haverá sempre algum descontentamento e uma boa dose de incompreensão, numa sociedade cada vez mais marcada pelo egocentrismo e que afeta, também, a classe dos professores. A primeira batalha será, portanto, um exercício de reflexão sobre o que devia, o que podia e o que foi feito, em prol de todos e, acima de tudo, dos alunos.
Este, como outros constrangimentos similares, são experienciados em todas as escolas, sendo, contudo, há que reconhecê-lo, mais “emotivamente” vivenciado em algumas unidades organizacionais, fruto, talvez, da potenciação das situações mais críticas em escolas em que o corpo docente é, praticamente, estável, o que aumenta, exponencialmente, o grau de exigência quanto às decisões das lideranças.
O Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio não foge à regra, mas seria uma tremenda injustiça se, tendo o privilégio de ter acesso a um meio tão especial de partilha, não evidenciasse todo o trabalho que se faz no sentido de promover melhores aprendizagens e alcançar melhores resultados; de dinamizar um leque diversificado e qualificado de atividades que enriquecem os curricula; de enfrentar os constrangimentos resultantes da crise social que afeta os agregados familiares e de procurar alternativas; de se adaptar às mudanças e redefinir estratégias; de contornar os obstáculos de toda a ordem com que a escola se depara, fruto do constante imputar de responsabilidades por parte da família e do meio, em geral, e de aceitar desafios aos mais diversos níveis, em defesa do estatuto que a escola granjeou ao longo de décadas de história.
E, assim, aos sucessos somam sucessos, numa demonstração do resultado de todo o esforço e resiliência, encarando cada etapa como um desafio que superarão, enfrentando ventos contrários ou de feição, porque a vida sem desafios se torna monótona, a monotonia mata a capacidade de sonhar e o sonho é o melhor dos aditivos para lidar com os obstáculos.
Além do mais, são os desafios que nos fortalecem e renovam a determinação em continuar a lutar por uma escola pública de qualidade e em que todos se revejam; uma escola que, sendo pública, não é a alternativa mas o caminho.
Ao aproximar-se o final de mais um ano letivo, um ano letivo tão sui generis para o Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, fica a certeza de que continuamos firmes na defesa de um património que ajudámos a construir e que é, inquestionavelmente, um marco na história do Concelho da Póvoa de Lanhoso.
E assim continuará, porque enquanto vestirmos a camisola não haverá contratempo que nos derrube nem desafio que nos impeça de ir em frente.

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