Correio do Minho

Braga, terça-feira

Desaparecimento de agricultores...

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Correio

2010-09-28 às 06h00

Leitor

O Alto Minho tem particularidades notáveis, sendo possível vislumbrar paisagens únicas numa diversidade de agro-sistemas, que vão da montanha, passando pela encosta até à ribeira. Neste sentido, a actividade agrícola constitui-se como base estruturante do desenvolvimento do território, que complementa o rendimento das famílias e, em casos como a viticultura, a horticultura, a produção de carne e leite, se apresenta como alternativa à indústria.

Embora os tempos sejam de crise, os apelos à organização e mobilização dos empresários, também devem ser encarados pelos agricultores como um desafio. Um país não pode ser rico sem agricultura e floresta. Actividades que ocupam cerca de 95% do solo nacional.

Contudo, alguns problemas se colocam à mobilização dos agricultores, com particular ênfase aos jovens agricultores. Actualmente, o apoio ao investimento não é um problema. Porém, numa vertente sociológica, a valorização sócio-profissional do agricultor, e numa vertente técnica, o funcionamento do mercado de terras, são inibidores do desenvolvimento agrário, com particular incidência no Alto Minho.

Face a esta situação, o panorama evolutivo mostra um maior afastamento da população do mundo rural. A redução do nú-mero de agricultores entre 1989-1999 foi de 41,5%, restando em 1999 apenas 16.735 no Alto Minho.

Em ano de Recenseamento Geral Agrícola (RGA09), os resultados que se avizinham certamente continuarão a apontar para uma diminuição. Se tivermos em consideração que aos 75 anos de idade se torna externamente difícil manter uma exploração agrícola, com a dimensão física e económica mínima utilizada para recenseamento, então os 5.303 agricultores que em 1999 tinham mais de 65 anos, em 2009 terão certamente abandonado a actividade. Face a estes valores e à evolução da década anterior, no Alto Minho o cenário de desaparecimento de agricultores irá situar-se entre os 30-40%, mantendo-se apenas em actividade entre 10 a 12 mil.

Embora o número de agricultores seja cada vez menor, isso não significa que o tamanho das explorações agrícolas aumente, facilitando assim o investimento através do acréscimo de escala produtiva. O abandono da agricultura por parte de alguns produtores não é um problema, desde que outros ocupem essas áreas, problema sim, será a perda de superfície agrícola útil devido a situações de indefinição (ex: partilhas, imigração, conflitos entre proprietários), inércia ou a pura teimosia dos proprietários.

O abandono agrícola está a gerar inúmeros problemas, um dos quais muito visível e falado na época de Verão, os incêndios. Porém, os incêndios são apenas o início do problema, com as primeiras chuvas, o solo é transportado para as linhas de água e provoca o assoreamento dos seus cursos, aumentando o risco de cheias. As águas subterrâneas podem ser contaminadas e o seu caudal reduzido.

Em casos como no Alto Minho, com sistemas agro-florestais mistos, a manutenção de alguma actividade agrícola, com intensidade e temporalidade bem definidas contribui para o aumento da biodiversidade e a preservação de espécies ameaçadas.
Para que o status quo não agrave o problema, urge delinear Planos Municipais ou Intermunicipais de Desenvolvimento Rural com base na estratégica nacional e no quadro legislativo e de apoios do PRODER, e implementar mais acções que permitam combater os efeitos ambientais, sociais e económicos do abandono rural.

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