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Ideias Políticas

2016-02-16 às 06h00

Hugo Soares

Nos últimos 4 anos, os portugueses fizeram sacrifícios extremos para que Portugal pudesse recuperar de uma bancarrota anunciada e ganhasse, de novo, o respeito e a confiança dos seus parceiros externos e dos investidores. Mas todos estes sacrifícios não foram uma espécie de capricho motivado por objetivos ocos de substância.

Não. Os esforços de todos foram no sentido de Portugal - com contas públicas em ordem - poder colocar a economia a crescer, criar emprego, dar oportunidades a todos e, assim, melhor distribuir a riqueza. Fundamentalmente, garantir que o Estado Social acudirá sempre aos que mais precisam e que a escola e a saúde pública em Portugal são uma realidade de que queremos cuidar e tratar de melhorar. Foi, pois, em nome de um futuro melhor para todos que todos contribuíram para Portugal se libertar da Troika e voltar a crescer. Pela primeira vez os Portugueses terão dito: valeu a pena.

Não ignoro que muitos portugueses - zangados e ainda não refeitos da austeridade - quiseram demonstrar essa frustração nas eleições de 2015 não votando ou pulverizando o voto por partidos mais pequenos.
Mas os resultados foram inequívocos e cristalinos: para governar, os Portugueses escolheram Pedro Passos Coelho. E tinham razão.

A verdade é que, fruto de um golpe parlamentar nunca visto em democracia, os derrotados pelo povo em eleições livres e democráticas, sem qualquer pudor ou rebuço, derrubaram, no parlamento, o Governo saído do sufrágio popular. E para quê? Para em três meses desbaratarem tudo o que os portugueses conquistaram a pulso.
O orçamento do Estado é o instrumento que serve de fio condutor às políticas públicas que devem ser adotadas e que são escolhidas por quem tem a incumbência de governar.

Todavia, a apresentação do OE para 2016 afigura-se mais uma manta de retalhos onde um quarto foi tecido pelo BE, outro quarto pelo PCP, um quarto pela Comissão e, por fim, pelo Governo. O tal que se limitou a compilar vontades com um único objetivo: esconder a realidade e fingir que governa.

Resultado?
1. Descredibilização de Portugal: num ápice a confiança e o respeito que tínhamos granjeado foram desbaratados. Sejam parceiros europeus, sejam entidades independentes, sejam investidores, sejam agências de rating, todos chamam a atenção para os imensos perigos que este OE apresenta. E as taxas de juro da dívida pública portuguesa já começaram a subir a galope…
2. Desinvestimento: com as decisões conhecidas de reversão de posições assumidas pelo Estado Português, os investidores não confiam em Portugal. Menos investimento, menos crescimentos, menos economia, menos emprego.
3. Atraso: Portugal vai voltar a atrasar-se na sua convergência com as economias mais desenvolvidas da europa. Afasta-se da Irlanda e aproxima-se da Grécia…
Em suma, a governação de António Costa está a ser um desastre. Pena é que os portugueses possam ter de voltar a pagar com sacrifícios - que já eram evitáveis - os desmandos e caprichos do Dr. Costa.

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