Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Descubram o património bracarense

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2013-04-02 às 06h00

Francisco Mota

A cidade de Braga é uma jóia muito pouco valorizada e nos últimos anos tem sido alvo de um desrespeito e destruição do seu património e da sua história.
Os factos históricos do nosso território precedem à nossa própria nacionalidade. Localizados no noroeste da península ibérica desde cedo nos afirmamos como região ímpar e pioneira no desenvolvimento peninsular. Prova disso são os vestígios neolíticos ou os aglomerados populacionais da idade do bronze, como o caso do alto da Cividade, ou ainda o aparecimento dos castros da idade do ferro. Estes últimos eram característicos das povoações que ocupavam os lugares mais altos. São diversos os castros no nosso concelho. Os Brácaros eram os seus habitantes que, com a romanização, dariam nome à cidade.

Após a conquista do Império Romano a então Bracara Augusta distingue-se como capital política e intelectual do reino dos suevos. Desde cedo passou a afirmar-se como centro importante da Igreja. Exemplo disso é a realização do concílio de Braga, tendo sido presidido por São Martinho de Dume, bispo titular de Bracara. Deste concílio resultaram grandes reformas, principalmente no mundo eclesiástico e linguístico, destacando-se a criação do ritual bracarense e a abolição de elementos linguísticos pagãos.

Com a invasão dos Mouros a cidade sofre uma destruição considerável, tendo mesmo perdido a importância estratégica que até então tinha conquistado. Contudo, com o Bispo D. Pedro de Braga, volta-se a reorganizar, nomeadamente com a construção da muralha citadina e da Sé.
Mais tarde, no séc. XII, D. Teresa e D. Henrique de Borgonha, Conde de Portugal, doam a cidade aos Arcebispos. Com a elevação do bispado bracarense a arcebispado, a cidade readquire uma enorme importância a nível Ibérico. Esta reconquista hegemónica de Braga permitiu mais tarde o apoio claro a D. Afonso Henriques para a instituição de Portugal enquanto país, pondo mesmo em Braga a responsabilidade da fundação da nossa nação.

Com D. Dinis na égide do reino a muralha citadina é requalificada e com esta intervenção surge a Torre de Menagem, tendo sido um pouco mais tarde adicionadas à planta da cidade outras nove torres, concluindo-se também o castelo de Braga em torno da torre de menagem já existente.
A modificação profunda da cidade surge com o Arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa, no séc. XVI, a onde foram introduzidas praças, ruas, novos edifícios e onde pela primeira vez se nota o crescimento para além do perímetro muralhado. Entre este período e o séc. XVIII, Braga afasta-se da traça medievalista dando lugar a uma arquitectura religiosa da época.

Ainda no séc. XIII seria fixado em Braga o ex-Libris do Barroco rococó em Portugal com André Soares. Das suas obras podemos desta-car a Capela de Santa Maria Madalena da Falperra, o edifício da Câmara Municipal de Braga, o Palácio do Raio, a Igreja dos Congregados ou o Arco da Porta Nova. Também não menos importante, surge no final do século, Carlos Amarante, que deixa-ria uma obra notável com várias edificações neoclássicas como o caso da Igreja do Pópulo, a Igreja do Hospital e o majestoso edificado do Bom Jesus.

A história e o património do nosso concelho tem um valor único e uma dimensão incalculável, sendo missão impossível conseguir expô-lo num artigo de opinião. Contudo todos os bracarenses, desde miúdos a graúdos, estão convocados para a promoção do nosso património e consciencialização da necessidade da sua preservação e valorização, através do CSI - BRAGA (Cidade sob Investigação) no próximo sábado, dia 6, entre as 14 e as 17 horas, onde se pretende que através do Jogo (Peddy-papper) cada um de nós seja investigador por um dia e tome consciência da riqueza que Braga é detentora.
Venham daí e inscrevam-se em www.csibraga.blogspot.pt.

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